A formação de condutores é problema mundial

Segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS, os acidentes de trânsito são a primeira causa de mortes violentas no mundo, chegando a 1,26 milhão de vítimas, muito mais do que outras causas, tais como o suicídio (815 mil mortes), assassinatos (520 mil) e as guerras e conflitos (310 mil).

Esses números motivaram a realização, em São Paulo, no último dia 20, do 2º Encontro Ibero-Americano de Formação de Condutores. O evento, que aconteceu durante a Semana Nacional de Trânsito, reuniu representantes de vários países como Portugal, Argentina, Colômbia, Equador, México, Espanha, Brasil, Uruguai entre outros. A principal discussão foi a qualidade na formação de condutores, apontada como um problema mundial a ser tratado com muito mais seriedade do que vem sendo até agora.

Durante o evento, os representantes dos países participantes puderam compartilhar suas experiências na área de formação de condutores. Por exemplo, no Uruguai não há obrigatoriedade em se freqüentar a auto-escola. Na Argentina, o processo não é uniforme, cada Estado (chamado de Distrito) tem práticas diferentes no que se refere a cursos e exames. Alguns Distritos não exigem exame prático de direção. Imaginem, então, como são os motoristas de lá: salve-se quem puder!
No México, são 31 modelos diferentes de auto-escolas e, por conseqüência, de formação. A Lei Federal é interpretada pelos Estados conforme convém a cada um. O pior é que não é obrigatório que o candidato à habilitação faça curso preparatório em auto-escola. Já Portugal e Espanha seguem orientações da União Européia e têm seus processos de habilitação bem organizados e uniformes, com regras similares às do Brasil, para a surpresa de muitos que estavam na platéia.
De forma geral, o evento enfatizou a necessidade de unir forças, entre os países Ibero-americanos, para diminuir as mortes no trânsito. O grande desafio, sem dúvida, será a melhoria na qualidade na formação dos condutores.
Aqui no Brasil já temos um excelente Código de Trânsito e o processo de habilitação é bem avançado, então por que temos índices tão altos de acidentes de trânsito? O que está faltando?

Aguardo seu comentário.

13 respostas para “A formação de condutores é problema mundial”

  1. Dinael escreveu:

    Falta apenas cumprir com o que está escrito no CTB, pois poucos CFC’s cumprem o estabelecido e muitos CFC’s fingem que cumprem. Também muitos DETRAN’s fingem que fiscalizam os CFC’s.

  2. Dinael escreveu:

    Complementando meu pensamento anterior, o exame teórico aplicado pelo DETRAN/SC está totalmente desatualizado e o exame prático de direção veicular na maioria das cidades é dar uma volta na quadra. É necessário muito mais seriedade para este assunto.

  3. lidia escreveu:

    bem sou instrutora de transito, o que falta… campanhas amplas e diarias que venham a concientizar o condutor a mudar sua forma de pensar e dirigir, cometendo menos imprudencia, com mais educaçao, cortesia e respeito mutuo no transito…os cfcs por sua ves deveriam estimular constantes palestras para os recem habilitados,nao visando so o lucro mas tambem as nossasvidas que estao em jogo, no dia a dia, como condutores ou pedrestes, mudar a mentalidade no transito é o q tem ser feito……pois a EDUCAÇÃO é que ta faltando………

  4. daniel fernandes escreveu:

    o que falta é que seja obedecido o que esta na legislação, com a educacao no transito para alunos do ensino fundamental desta forma vamos fazer condutores concientes, pois a carga horaria estabelecida é muito pouca para se formar um condutor consciente

  5. Êrica Nickel escreveu:

    Olá Dinael

    Acredito também que cumprir o Código demanda mais fiscalização dos órgãos executivos.
    Concordo que os exames também precisam de uma reformulação, aliás são eles que ditam a forma como muitos CFCs ensinam, baseados em dicas para “passar nos testes”. Mas o que precisamos é de uma formação mais cidadã e completa, não é mesmo?

    Obrigada pela sua participação.

  6. Êrica Nickel escreveu:

    Olá Lídia

    Realmente, os CfC poderiam atuar mais como centro de educação de trânsito, indo além dos cursos definidos pelo código, como você sugeriu, palestras, etc.
    Quem sabe esta seria uma alternativa para a melhoria na formação do condutor.

    Continue participando.

  7. Êrica Nickel escreveu:

    Olá Daniel

    O que falta é mesmo uma educação a longo prazo. È esta a luta de todos nós educadores de trânsito.

    Obrigada pela participação.

  8. Rosa Emilia Rossi escreveu:

    Ola, Dinael
    Ola Êrica, bom dia, quero apenas complementar os comentários lamentando a atuação do DENATRAN, por ser o orgão fiscalizador ele não cumpre sua função, e com isso os CFCs se viram como pode.
    Quanto aos instrutores acredito que todos estejam abandonados, sem oportunidade de ter uma educação continuada, pois os jovens que vem para a sala de aula cumprir a obrigação para adquirir sua primeira habilitação não tem motivação, pois tudo esta cada dia mais avançado, menos o conteúdo que somos responsáveis por desenvolver na teoria.
    Com isso a prática continua sendo bem diferente.
    Rosa Emilia

  9. Êrica Nickel escreveu:

    Olá Rosa

    Sem dúvida, precisamos preparar melhor nossos instrutores e valorizar a profissão, afinal eles estão formando pessoas que irão enfrentar um trânsito com altíssimo nível de risco.
    Precisamos cada vez mais pressionar os órgão executivos para que assumam sua parcela de responsabilidade em relação ao caos do trânsito hoje.

    Obrigada por participar.

  10. judson reinert escreveu:

    Considerando a necessidade imediata para a cura do fenômeno trânsito, e o desconhecimento universal, de técnicas objetivas para o tratamento, com ceteza a educação é o mellhor caminho para mudança de comprtamento, porém para isso, toda a sociedade deve estar comprometi-da para cumprimento de deveres conforme lei 9503, em seu artigo 74, A eduação para o trânsito tatada em todos os níveis de escolaridade .

    Os CFC melhores municiados poderão e deverão participar diretamente, em sintonia com os orgàos de trânsito Municipais, em campanhas permanentes de prevenáo para os acidentes de trânsito.

  11. Mauro Monteiro escreveu:

    Entendo que todos estão corretos quanto a educação ir mais além dos CFCs, porém, acredito que a fiscalização ainda está muito pequena.
    Vejam só, contantemente vejo veículos transitando com placas amarelas nas ruas, outros em péssimos estado de conservação, motoristas que não utilizam o cinto de segurança, ou que falam no celular dirigindo, ultrapassagens perigosas, farois vermelhos e inúmeros outras infrações de trânsito.
    Em contrapartida, os órgãos de trânsito, também brincam de administrar o trânsito, a Resolução 39 do CONTRAN, dita regras para as lombadas, agora, vejam se elas estão com as dimensões previstas pela norma.
    Na cidade onde moro, tem placas que não estão regulamentadas pelo CONTRAN (Suzano-SP).
    Tem CFCs que obrigam os seus funcionários a responderem as questões dos candidatos, quando perceberem que eles não estão bem para a prova, ou até para ganhar algum com esta vantagem.
    Tanto os condutores, os CFCs como os próprios órgãos de trânsito municipais, estaduais e federais, devem ser fiscalizados, o próprio CTB diz quem deve fazer isso.

  12. Alexandre BAsileis escreveu:

    Duas coisas me chamam atenção no matéria.
    A primeira é: “Já Portugal e Espanha seguem orientações da União Européia e têm seus processos de habilitação bem organizados e uniformes, com regras similares às do Brasil.”
    A segunda: Aqui no Brasil já temos um excelente Código de Trânsito e o processo de habilitação é bem avançado.
    Bom, sem falar em termos de punição, pois ai iriamos ser obrigados a mencionar o CP, CPP, além de outras leis.
    Porém, como requer o texto, falaremos sobre COMPORTAMENTO.
    A problemática é cultural. Contanto, dinael mencionou um tema bem interessante. Fiscalização do Órgão responsável ( na caso os Detran’s) e os Centro de Formação de Condutores, que não cumprem a regra. (claro que sem generalização) Há Detran que fiscaliza como a CFC que cumpri.
    Mas, então é culpa da fiscalização o comportamento homicida no trânsito?
    Não. de forma nenhuma. Ele pode ser um elemento que diminuiria o resultado da causa, o comportamento perigoso do condutor.
    Então, onde está a causa?
    Como eu disse acima é cultural.
    Para um comportamento ter alterado terá que haver duas coisas básicas: generalização ou trauma.
    Generalização, quando a sociedade tem um comportamento que não condiz ( beber e dirigir ou alta velocidade ou até mesmo desrespeito) só poderá haver mudança a este comportamento se toda sociedade for impulsionada a mudar. Não somente o comportamento no trânsito.
    Exemplo: A sociedade quer justiça no caso de um acidente de trânsito envolvendo bebida. mas a própria sociedade iria contra se proibissem a venda de bebida a noite, em postos de gasolina, etc. Hoje crianças e adolescentes bebem na rua livremente. Andam com ICE pra cima e pra baixo.
    E quando o comportamento é alterado por trauma é individual. A não ser que esse trauma seja de proporção social. Exemplo de uma catástrofe.
    Portanto, a mudança do comportamento criminoso, imprudente ou desrespeitoso no trânsito, só acontecerá se toda sociedade se mobilizar para isso. Ativamente sem reservas. Ou que esperem um catástrofe divina. Se não, mortes no trãnsito serão cada dia mais comum.
    O termo educar só valerá se em primeiro lugar o social der o exemplo, o poder público der o exemplo, todos derem o exemplo. Se não educação não dá resultado.

  13. Alexandre Basileis escreveu:

    Duas coisas me chamam atenção no matéria.
    A primeira é: “Já Portugal e Espanha seguem orientações da União Européia e têm seus processos de habilitação bem organizados e uniformes, com regras similares às do Brasil.”
    A segunda: Aqui no Brasil já temos um excelente Código de Trânsito e o processo de habilitação é bem avançado.
    Bom, sem falar em termos de punição, pois ai iriamos ser obrigados a mencionar o CP, CPP, além de outras leis.
    Porém, como requer o texto, falaremos sobre COMPORTAMENTO.
    A problemática é cultural. Contanto, dinael mencionou um tema bem interessante. Fiscalização do Órgão responsável ( na caso os Detran’s) e os Centro de Formação de Condutores, que não cumprem a regra. (claro que sem generalização) Há Detran que fiscaliza como a CFC que cumpri.
    Mas, então é culpa da fiscalização o comportamento homicida no trânsito?
    Não. de forma nenhuma. Ele pode ser um elemento que diminuiria o resultado da causa, o comportamento perigoso do condutor.
    Então, onde está a causa?
    Como eu disse acima é cultural.
    Para um comportamento ter alterado terá que haver duas coisas básicas: generalização ou trauma.
    Generalização, quando a sociedade tem um comportamento que não condiz ( beber e dirigir ou alta velocidade ou até mesmo desrespeito) só poderá haver mudança a este comportamento se toda sociedade for impulsionada a mudar. Não somente o comportamento no trânsito.
    Exemplo: A sociedade quer justiça no caso de um acidente de trânsito envolvendo bebida. mas a própria sociedade iria contra se proibissem a venda de bebida a noite, em postos de gasolina, etc. Hoje crianças e adolescentes bebem na rua livremente. Andam com ICE pra cima e pra baixo.
    E quando o comportamento é alterado por trauma é individual. A não ser que esse trauma seja de proporção social. Exemplo de uma catástrofe.
    Portanto, a mudança do comportamento criminoso, imprudente ou desrespeitoso no trânsito, só acontecerá se toda sociedade se mobilizar para isso. Ativamente sem reservas. Ou que esperem um catástrofe divina. Se não, mortes no trãnsito serão cada dia mais comum.
    O termo educar só valerá se em primeiro lugar o social der o exemplo, o poder público der o exemplo, todos derem o exemplo. Se não educação não dá resultado.

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