Pedágios no Paraná

No Paraná os usuários das rodovias pedagiadas têm dificuldade de entender as diferenças dos modelos de contratos de concessão que culminam em brutais diferenças nos valores das tarifas.   Para dar um exemplo,  num trecho de 100Km entre Curitiba e o litoral do Paraná há uma cobrança no valor de R$ 13,40.  Para percorrer um trecho de 120 Km entre Curitiba e Joinville/SC o usuário passa por duas praças de pedágio no valor de R$ 1,40 cada, totalizando R$ 2,80, ou seja quase cinco vezes mais.  As rodovias que seguem para o interior do Estado do Paraná também possui tarifas consideradas altas pelo trecho percorrido.  Por óbvio que a diferença entre os modelos de contrato, seus prazos, as obrigações podem explicar tecnicamente essas diferenças, mas o usuário quer ver a diferença ao transitar pelas rodovias.

Vamos trazer nossa experiência pessoal.  Ao utilizar as rodovias que seguem para o interior do Estado ou mesmo para o litoral paranaense durante a noite é um verdadeiro prazer de dirigir.  As pistas são  muito bem sinalizadas, na sinalização horizontal (pinturas no leito da via) são utilizadas tintas reflexivas, assim como nas divisórias de pista (guard rail) além de catadioptricos (`olho-de-gato`).  Quando o farol atinge a pista é como se estivesse num vídeo-game, a pista se desenha diante do condutor.  A qualidade do pavimento também é excepcional.  Para ir de Curitiba a Guarapuava/PR, num trecho de 270 Km gasta-se R$ 50,20 para um automóvel.

Em compensação a rodovia que une as capitais do Paraná e Santa Catarina é uma catástrofe.  Durante a noite há confusão entre a pista, o divisor, o acostamento pois a pintura no leito da via (quando existe) não possui qualquer reflexão, é um breu.  Para agravar mais a situação da péssima sinalização a pista traz mudanças repentinas no traçado, o que faz com que constantemente o condutor seja surpreendido com desvios repentinos.   A melhor forma de proteger-se desses desvios repentinos é acompanhar o movimento das lanternas dos veículos que seguem a frente, ou mesmo dos faróis dos que seguem em sentido contrário.  Num trecho de 300Km entre Curitiba e Florianópolis um automóvel não chega a gastar R$ 6,00.

No mês de abril deste ano sofri um acidente gravíssimo no Km 67 da BR-101, em Santa Catarina, trecho próximo a Joinville/SC ao ser surpreendido por essa mudança repentina na trajetória.  Me conformaria se fosse o único desatento, mas ao saber que desde o início do ano mais de uma dezena de acidentes idênticos ocorreram no mesmo ponto, de forma que o proprietário de uma transportadora que recebe os veículos projetados após a colisão sequer tem mais o interesse em reparar a cerca fiquei na dúvida sobre o conceito de caro ou barato. Não estava em velocidade excessiva, senão esse comentário não estaria sendo escrito.

3 respostas para “Pedágios no Paraná”

  1. Douglas Akioka escreveu:

    Sei que não tem nada a ver com o lance do pedágio…mas gostaria de fazer um comentário…

    Há tempos em que as estradas do Brasil trazem excessívos números de mortes por acidentes de transito, principalmente em feriados. Eu mesmo já perdi entes queridos em morte de transito.

    Enfim…proponho amadurecer a idéia de fazer com que os automóveis, motos, caminhoes, etc saiam de fábrica com um limitador de velocidade a 50 km por hora, e que no mesmo seja instalado um liberador de velocidade (é claro que com a tecnologia de hoje dá para desenvolver algo parecido). Em lugares como vias escolares, nas entradas das vias, instalaria um dispositivo que limitaria a velocidade para até 30 km por hora. Em avenidas mais rápidas, quando o carro acessar a mesma, a velocidade seria liberada para até 60…70 ou 90 km por hora, de acordo com a velocidade que é permitida. Em rodovias, liberaria para até 120 km por hora. E ainda…por que que as montadoras liberam carros com velocidade até 240 km por hora sendo que na nossa malha rodoviária não tem vias com este limite de velocidade. O custo inicial pode ser alto…mas o retorno seria mais alto ainda. É claro que esta medida não eliminaria radares. E se é possível utilizar um aparelho como o sem parar…por que não seria possível desenvolver um dispositivo assim!

    Outra coisa…o carro deveria ter um dispositivo igual ao bafometro, juntamente com um identificador digital…deveria ser item obrigatório dos carros, e só liberaria a partida do veículo caso não fosse identificado um nível de alcoolismo no condutor.

    É radical…mas em um país com tanto oba oba quanto o Brasil…talvez seria um caminho para um local melhor para se viver!

    Enfim…tem que amadurecer a idéia.

    Um abraço

  2. abner oliveira vasconcelos escreveu:

    As rodovias deveriam ser de boa qualidade, esse deveria ser a obrigação do Governo é para isso que o dinheiro do IPVA deveria servir, mas o mesmo é desviado assim como o dinheiro do FUNSET que vai para o pagamento de dívidas do Governo, em vez de ir para o trânsito.

  3. Silvio escreveu:

    Douglas, você não pode punir um crime ou infração que ainda não existiu. No mundo inteiro existem carros velozes e muitas vezes velocidade também é segurança, mas se bem aplicada. Colocando um limitador de velocidade e tratando a todos como se fossem irresponsáveis você poderá até estar matando alguém.
    Mas não é porque você tem um canhão que você precisa sair atirando a esmo. Eu mesmo graças a Deus, até hoje, nunca fui multado e nem sofri acidentes de grande ou média monta (certa vez bateram na minha traseira, mas nada muito grave tanto que liberei o cara de pagar pelo amassado no para-choques que foi arrumado em casa mesmo).
    Na verdade o problema da “educação” e da “segurança” de trânsito no Brasil está diretamente ligada a “quanto o político leva”, vide a indústria de multas que qualquer distração pode fazer alguém perder cento e tantos reais.
    Aqui na minha cidade o prefeito encheu de radares, um que cito é na esquina da rua Rio Grande do Sul com a Av. Carlos Gomes. Outro dia ví um acidênte “classico” lá: o radar é de dupla função e controla a velocidade e furos de semaforo. Sou totalmente contra e acho uma insanidade qualquer um passar deliberadamente num semáforo vermelho. Pessoas que ficam fazendo roleta russa deveriam ser presas, mas multar alguém porque estava em velocidade compatível e já estava fazendo a travessia enquanto os outros carros ainda estavam parados é um pouquinho demais pro meu gosto, embora seja a lei.
    Não obstante, certos sinaleiros foram “turbinados” nas últimas lâmpadas (é daqueles com várias lâmpadas para dar uma idéia da temporização), levando o motorista a erro.
    Pois bem, o acidênte classico foi um ônibus do transporte urbano da cidade que atropelou um senhor, que conforme testemunhas, estava alcoolizado e resolveu atravessar a rua derrepente. Não é dificil imaginar AONDE estavam os olhos do motorista na hora da travessia, não é?
    Se para o fiscal multa, se passa no tempo errado o radar multa, e ai?

    Quanto aos pedágios no Paraná eu acho que as rodovias de Curitiba para o litoral e até ponta grossa, embora caras, são bem conservadas. Mas as pro interior, em especial a 277 fede a sangue! São quilômetros de pista simples que cansam os motoristas e fazem, em especial os apressadinhos, com que comecem a fazer besteiras como uma sucessão de ultrapassagens perigosas ou mesmo sejam derrotados pelo sono depois de passar horas atrás de caminhões lentos sem a mínima chance de ultrapassagem com segurança.

    Na verdade tinha que fazer uma lei que se o governo quisar multar numa via, por velocidade, beleza, mas deveria fornecer um mapa eletrônico atualizado com as velocidades para aquelas vias para ser utilizado nos aparelhos de gps. Então o motorista prudente terá como utilizar uma ferramenta valiosa para saber a velocidade instantânea que poderá desenvolver em determinado trecho e assim andar na lei. O que é certo, é certo. Dê o que é de Cesar o que é de Cesar, dê a Deus o que é de Deus, mas nada de arapucas.

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