Arquivos de outubro, 2007

Cadeirinha: uma vitória para todos!

quarta-feira, outubro 31st, 2007

cadeirinha.jpgEstá sendo veiculada na mídia a notícia de que até o fim do ano, o Contran (Conselho Nacional de Trânsito) tornará obrigatório o uso de cadeirinhas de segurança nos automóveis para crianças de até 10 anos de idade ou 1,30m de altura.

Vocês não imaginam como esta é uma boa notícia. Faz 6 anos que sou formada e 5 que trabalho com educação de trânsito. Recém-formada, e com uma filha pequena, fui trabalhar na ONG Criança Segura. Foi aí que comecei a tomar consciência dos perigos existentes tanto em casa, como no carro e até mesmo na escola. Depois disso minha vida mudou, minha casa tinha protetores de tomada, portão na escada, enfim, tomei todos os cuidados para prevenir acidentes domésticos. Para matricular a minha filha, visitei diversas escolas e optei por aquela que me ofereceu além de bom sistema pedagógico, segurança para a Maria Vitória e não só aquela “segurança” que estamos acostumados, contra seqüestro, por exemplo, mas segurança contra quedas no parquinho, contra envenenamentos (por produtos de limpeza), etc. Confesso que me achavam meio neurótica, mas é a vida do meu bem mais precioso que está em jogo.

E enfim a minha luta e a de todos os envolvidos com segurança no trânsito: o uso de cadeirinhas nos veículos. Não é brincadeira, uma criança tem até 51% chance a mais de sobreviver a uma colisão se estiver nesse equipamento, isso se ele for certificado pelo Inmetro e estiver bem instalado. A Maria Vitória desde pequena anda na cadeirinha, não vou dizer que é fácil, muitos dias agüentei aquela gritaria, porque ela não queria ir na cadeira. Hoje tenho minha recompensa, ela entra no carro, senta no booster (assento), coloca o cinto e ainda chama a atenção dos adultos que “esquecem” de colocar o cinto de segurança.

Por tudo que já estudei sobre o assunto posso afirmar com toda a certeza do mundo: a cadeirinha de segurança previne lesões e até a morte. E fico muito feliz de que agora, quem sabe por se tornar obrigatório, os pais a utilizem mais, e dessa forma, conseguiremos a redução de mortes de crianças no trânsito. Já foi dado o 1.º passo, agora vamos fazer a nossa parte!

Os homens, jovens e solteiros estão em risco!

quarta-feira, outubro 24th, 2007

superman_04.gifNão é brincadeira, a conclusão citada no título acima foi tirada da pesquisa divulgada hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Os homens, de 10 a 29 anos e solteiros são os que estão mais propensos a se envolverem em acidentes de trânsito e com drogas. E a maioria deles é da classe A.

Sabe aquela idéia de que o jovem acha que é um super-herói, que nada pode acontecer com ele? Essa idéia está refletida nos números, mas o resultado é totalmente o contrário, este “indivíduo” é a peça mais frágil de nossa sociedade, totalmente exposto a riscos e que sofre as consequências de atos imprudentes. Este jovem é aquele que na maioria das vezes, bebe ou consome maconha e cocaína e depois pega o carro e sai por aí, disputando rachas, vencendo desafios (na cabeça dele), se mostrando para os amigos. Ou é aquele que estupra e mata com a certeza da impunidade. Doce ilusão…em muitos dos casos ele paga, às vezes, até com a própria vida.

É muito triste perceber essa realidade. O coordenador da pesquisa faz até um comparativo com o filme “Tropa de Elite” que mostra universitários de classe alta como os principais fomentadores do tráfico. Não vou entrar no mérito desta questão, que é bastante polêmica, e que ramifica várias interpretações. O que eu quero mostrar aqui é que o medo dos pais, é real, quando seus filhos e até mesmo filhas (pois elas podem pegar carona ou topar com um desses moleques por aí) saem de casa, não se sabe como e se eles voltarão.

Como li em algum lugar hoje, sabemos que sozinhos não podemos mudar o mundo, mas podemos começar dentro de nossas próprias casas. Se você fizer a sua parte, orientar, apontar os riscos, propor soluções, pelo menos o seu filho(a) terá maiores chances de ser um sobrevivente neste mundo absurdo em que estamos vivendo.

Mais reconhecimento para condutores conscientes

sexta-feira, outubro 19th, 2007

Os estados do Mato Grosso do Sul e do Pará estão de parabéns. Este mês os dois estados aprovaram a concessão de descontos no processo de renovação (30%) e pagamento do IPVA (15%), respectivamente, para os condutores que não tenham cometido nenhuma infração. Esta ação visa “premiar”, segundo correspondentes dos estados, condutores prudentes no trânsito, além de incentivar a direção defensiva e, consequentemente, a diminuição do número de acidentes.

O Código de Trânsito Brasileiro concede autonomia aos Estados e Municípios para adequarem as legislações federais à realidade e necessidade local. O exemplo dos estados de Mato Grosso do Sul e Pará comprovam como esta “liberdade” pode ser usada com inteligência e bom senso, desmistificando um pouco a imagem do Detran como órgão arrecadador.

Destaco estas informações no meu post hoje porque o foco da fiscalização e principalmente da mídia está na busca constante de culpados pela tragédia atual do trânsito brasileiro. Mas dificilmente os holofotes se voltam para os vitoriosos sobreviventes do trânsito que todos os dias chegam em casa angustiados por verem tantos direitos e normas de segurança desrespeitados, levarem incontáveis buzinadas por dirigir dentro do limite de velocidade ou por esperar um pedestre terminar a travessia e mesmo assim não desistem de fazer a sua parte por um trânsito mais seguro para mim e para você. É incrível como esquecemos de “premiar”, incentivar e até mesmo reforçar atitudes como estas, quando os infratores mesmo (aqueles que causam acidentes e mortes no trânsito) representam apenas 1/3 dos condutores brasileiros.

Parabéns Pará e Mato Grosso do Sul! Que as suas honrosas iniciativas sejam invejadas e copiadas por outros órgãos de trânsito do país, pois o CTB permite e os outros 2/3 de condutores brasileiros merecem.

Ônibus X Ciclistas e Pedestres

quinta-feira, outubro 18th, 2007

Apenas nessa semana, três acidentes graves envolvendo ônibus, ciclista e pedestre aconteceram em Curitiba. Somente neste ano foram 71 acidentes na capital paranaense envolvendo estes usuários do trânsito.

Este problema vem ocorrendo nas canaletas (faixas) exclusivas para os ônibus em algumas ruas específicas da cidade. Estas canaletas foram criadas para ajudar a melhorar o transporte coletivo de Curitiba, pois os trajetos ficam mais rápidos e os ônibus não enfrentam congestionamentos. Mesmo com essa facilidade os “biarticulados” que tem 24 m de comprimento atingem o limite de velocidade de apenas 55 Km/h, a média, porém é ainda menor: 26 Km/h. Então, por que ocorrem os acidentes?

Não isento totalmente os motoristas destes veículos, pois sabemos que muitas vezes eles se beneficiam do “tamanho” para impor mais respeito. Porém essas ocorrências em Curitiba aconteceram devido a imprudência dos ciclistas e a desatenção dos pedestres.

Apesar de proibido, muitos ciclistas trafegam na faixa exclusiva para os ônibus, colocando em risco a própria vida. O correto seria trafegar, quando não houver ciclovia ou ciclofaixa, na via dos veículos convencionais, nunca na contra-mão e respeitando a sinalização de trânsito. Já em relação aos pedestres, muitas vezes a desatenção ao atravessar a via pode ser a causa de muitos acidentes. As pessoas param muito perto do meio-fio e podem perder o equilíbrio e cair ou serem tocadas com o retrovisor dos veículos de transporte coletivo. Para que isso não aconteça o pedestre deve prestar muita atenção ao atravessar a via, sempre que houver, utilizar a faixa de segurança e quando parar no meio-fio para esperar, dar um passo para trás, assim ficará mais protegido.

Sabemos que existem muitos problemas, mas percebemos também que a solução está aí, basta educar e conscientizar as pessoas, para que haja uma mudança de comportamento e as pessoas aprendam a perceber o risco e agir antes do acidente acontecer. Até a próxima semana!

ATRITO, ADERÊNCIA E AQUAPLANAGEM (1)

sábado, outubro 13th, 2007

Existem fenômenos que, embora entendidos e explicados por cientistas, apresentam dificuldades enormes para compreensão por cidadãos comuns, exatamente os que, em todo o mundo, são maioria absoluta. Tal dificuldade pode se originar da linguagem utilizada na definição: o cientista pode estar falando de uma forma que o cidadão comum não consegue entender. Seria desejável, portanto, que houvesse uma forma simples de explicá-los para que o homem comum, ao invés de ser prejudicado por ignorá-los, viesse a se beneficiar com o fato de passar a entendê-los. Entender os três fenômenos que compõem o título deste artigo é fundamental para todos os que conduzem veículos automotores.

Usaremos definições e exemplos bem simples para explicá-los de uma forma que todos entendam. Procure um balcão ou mesa onde haja um tampo de vidro. Encoste um dedo no vidro, com uma pressão de mais ou menos um quilo. Faça agora o dedo deslizar no vidro. Você sentira um repuxamento na pele: há uma certa dificuldade para deslizar o dedo no vidro. Aumente agora a pressão do dedo sobre o vidro para uns 5 kg e deslize novamente o dedo no vidro, mantendo a nova pressão. Você verá que á mais difícil escorregar o dedo no vidro: a resistência parece ter aumentado. Se V. aumentar a pressão do dedo sobre o vidro para valer (cuidado para não quebrá-lo) V. verá que, a partir de um certo ponto, não mais será possível esfregar o dedo no vidro.

Coloque agora uma moeda sobre o vidro, o seu dedo sobre a moeda e repita os deslizamentos com as diversas pressões. V. verá que, com a moeda, o deslizamento é muito mais fácil. Com estes simples exemplos já podemos chegar a importantes definições:
1. A diferença que V. sentiu ao arrastar primeiro o dedo diretamente e depois quando o colocou sobre a moeda chama-se diferença de ADERÊNCIA dos materiais uns aos outros: sua pele tem maior aderência ao vidro do que a moeda. Se ao invés da moeda V. pegar uma borracha destas de apagar erros escritos a lápis, provavelmente não conseguirá arrastá-la no vidro com 1 kg. de pressão: a ADERÊNCIA da borracha é maior que a do dedo.
2. Ao arrastarmos seja o dedo, o dedo sobre a moeda ou sobre a borracha, estamos criando ATRITO entre estes objetos e o vidro da mesa. Para um mesmo material, quanto maior for o peso em cima dele, maior a ADERÊNCIA e, na hora de arrastarmos, maior o ATRITO produzido.

Sabendo disso, vamos agora jogar água sobre o vidro, de forma que sobre ele fique uma fina camada. Ao passarmos o dedo ou a moeda, veremos que, com água, fica muito mais fácil o movimento: a água tirou uma parte da aderência, ocasionando uma diminuição do atrito quanto arrastamos. Já se passarmos a borracha com a água, veremos que a diferença existe, mas não é muito grande em relação à experiência da mesma borracha com o vidro seco: como tem melhor aderência, a borracha é menos afetada pela água e o atrito quando há o movimento continua bom.

Finalmente, vamos agora secar a água e passar um filme de graxa sobre o vidro: tanto o dedo como a moeda e também a borracha, agora, deslizam facilmente. A graxa, ao eliminar a aderência de todos os materiais, elimina o atrito quando há o movimento. Podemos, com estes princípios, mover o nosso automóvel sobre diversos pisos e ver onde é que a aderência e o atrito são úteis e onde são prejudiciais. Como regra geral, desejamos que a aderência dos pneus do carro aos diversos pisos seja a maior possível, para que, ao trafegarmos, as rodas jamais patinem ou derrapem, seja em arrancadas, curvas ou frenagens.

Se, por exemplo, o tempo fosse sempre bom, com sol e pisos secos e limpos, o pneu ideal para aderência máxima seria o pneu liso, sem quaisquer ranhuras: exatamente o pneu “careca”, aquele que a turma das corridas chama de “slick”. Infelizmente, V. sabe que, às vezes, em uma mesma viagem V. experimenta as 4 estações do ano: o dia pode começar seco e frio, depois acaba esquentando, terminando com uma chuva à tarde. Parece, portanto, que o pneu careca não é uma boa solução para todos os tipos de pisos e condições climáticas. Continuaremos na próxima semana.

Até quando??????????

quarta-feira, outubro 10th, 2007

Estou assustada, indignada e com medo. Em menos de uma semana vários acidentes de trânsito saíram nos noticiários, resultando em várias mortes. Rachas, atropelamentos, motoristas embriagados, falha mecânica, imprudência. Sabe o que mais assusta? Muitos outros acidentes aconteceram no nosso país e não foram noticiados. O que aparece é apenas a ponta do iceberg.

Não sei se estou conseguindo expressar o que sinto, um misto de indignação e medo. Estou exposta a tudo isso, minha filha, meus pais e irmãos, meu namorado, meus amigos, enfim, todos com quem eu convivo também estão correndo riscos. Procuro sempre ensinar, mostrar o que é correto, mas o que me assusta mais é que o trânsito não depende apenas de mim, mas depende também de motoristas inconsequentes, que bebem, se drogam e depois fazem rachas nas ruas da cidade, de condutores imprudentes que não realizam manutenção em seus veículos, de pedestres, motoboys e ciclistas imprudentes. Em que mundo vivemos?

O que mais terá que acontecer para darmos um basta nisso? Eu tento fazer a minha parte. Estou montando uma palestra apenas para jovens, para divulgar em escolas, universidades e CFCs o quanto é perigoso não ter consciência dos riscos do trânsito, que acidentes podem acontecer com qualquer um, não existe classe social, idade, religião e cor no trânsito, todos somos iguais. Os que saem na frente certamente são aqueles que têm respeito às leis de trânsito e respeito com os outros cidadãos, aqueles que conseguem ver o perigo e reagir (usando técnicas de direção defensiva), aqueles que não abusam da sorte e acreditam que atos inconsequentes terão reações trágicas. Espero que as coisas mudem…não aguentamos mais tantos absurdos. Vamos reagir!

Chip nos veículos

quarta-feira, outubro 3rd, 2007

Ontem a Prefeitura de São Paulo anunciou que deve começar no ano que vem a instalação de chips nos carros que trafegam na cidade. Essa determinação é a entrada em vigor da Resolução 212/06, do Contran, que dispõe sobre a implantação do Sistema de Identificação Automática de Veículos (SINIAV) em todo o território nacional. E você sabe o que é o SINIAV?

Vou tentar explicar: o SINIAV é um sistema composto por placas eletrônicas instaladas nos veículos, antenas leitoras, centrais de processamento e sistemas informatizados. A partir desse Sistema, num primeiro momento, ficará mais fácil fiscalizar e identificar os veículos que circulam pelas cidades. Por enquanto apenas a cidade de São Paulo lançou oficialmente o SINIAV.

O objetivo desta Resolução é aumentar a segurança dos cidadãos, aperfeiçoar a gestão do tráfego e melhorar a fiscalização de veículos. No caso de São Paulo, espera-se reduzir a inadimplência no pagamento de IPVA, licenciamento e multas.

O Sistema poderá ser uma arma na luta contra a impunidade e contra a imprudência no trânsito. No futuro será possível inclusive autuar condutores por excesso de velocidade a partir dos dados fornecidos (velocidade média entre uma antena e outra). Torcemos para que dê certo!!!