Quando o castigo não vem após o crime
quarta-feira, setembro 26th, 2007Perder um ente querido no trânsito ou pela violência é uma dor profunda, que deixa marcas e seqüelas em várias pessoas. Não apenas na família e nos conhecidos da vítima, mas muitas vezes no causador de um acidente que teve vítimas fatais. E em muitas vezes essa dor é transformada em força para uma luta que começa a partir do momento da perda: a de punir os culpados.
Às vezes fico me perguntando: a maneira mais fácil de matar alguém e não ser punido, é no trânsito? Infelizmente o que estamos vendo por aí é isso mesmo, crimes de trânsito sem punição, com penas revertidas em trabalhos assistenciais. Antes que me critiquem, não sou contra esse tipo de pena, porém a situação do trânsito chegou num ponto em que a impunidade está influenciando o comportamento das pessoas. Por exemplo, se eu tomar algumas doses de vodka numa festa e sair dirigindo, tenho que ter noção de que se provocar um acidente, serei culpada, pois estou assumindo os riscos de dirigir nessa situação. As pessoas não pensam dessa forma, sabem que se acontecer alguma coisa- como dizem os jovens- não vai dar nada…
Lembro-me da história de uma garota curitibana que estava passando as férias em Piçarras e no 1.º dia do ano, quando estava indo comprar pão, foi atropelada e morta por um(a) jovem que voltava da “balada”. O pai dela, advogado, criou uma ONG chamada Dias Melhores que luta por justiça no trânsito. Não sei se o condutor foi punido, sei o que essa família passou e sei também que a vida desta filha ninguém poderá devolver ao pai.
A punição neste caso é o começo de uma certeza: outras pessoas poderão ser salvas se àqueles que bebem antes de dirigir tiverem medo de ser punidos e ao invés de dirigir, decidirem pegar carona ou voltar de táxi para casa. Esse é só o começo, mas um grande começo!
