Arquivos de agosto, 2007

Bicicleta: alternativa de transporte público

quarta-feira, agosto 29th, 2007

bicicletas1.gifMatéria publicada na última edição da Revista Veja intitulada “Vou de Bicicleta” mostrou como cidades européias estão transformando a bicicleta num meio de transporte público, uma alternativa que diminui os índices de congestionamento, de poluição ao meio ambiente e que faz muito bem a saúde de seus usuários, se respeitados os “preceitos” de segurança – obediência à legislação, técnicas de direção defensiva e equipamentos de segurança.

A novidade funciona da seguinte forma: em Barcelona e mais recentemente em Paris, os interessados se cadastram via internet, deixando nome, endereço e número de cartão de crédito para pagamento da taxa básica anual de 24 euros (percursos acima de trinta minutos são cobrados à parte, numa tabela progressiva), e recebem um cartão magnético de acesso aos “pontos” de bicicleta, num total de 120, sempre ao lado de saídas do metrô e paradas de ônibus. É só entrar, pegar, usar e devolver em outro ponto. Uma alternativa inteligente e que tem tudo para dar certo…na Europa.

Voltando a nossa realidade, acredito que para estarmos preparados para receber esse tipo de novidade, ainda temos muitos caminhos a percorrer. Eu imagino que loucura seria aqui no Brasil, muitos ciclistas imprudentes – àqueles que acham que por estarem de bicicleta, são imunes a sinalização de trânsito, para eles não existe sentido de direção (adoram andar na contra-mão), semáforo então…para quê? Junte-se a isso “aqueles” condutores que não respeitam nem os motociclistas (que são mais imponentes e tão frágeis quanto) e muitas vezes nem a própria vida. E ainda tantos pedestres desatentos, que acreditam que vieram ao mundo a passeio - …que loucura seria!!!!

Como vemos, temos muito para evoluir. Num país onde as pessoas não se respeitam, onde os mais frágeis são engolidos, onde a corrupção impera… o que nos resta? Esperança…em um mundo melhor feito de pessoas como eu e você e muitos outros que lutam por ideal e que lutam por uma sociedade melhor.

EDUCAR CRIANÇAS OU ADULTOS PARA O TRÂNSITO?

segunda-feira, agosto 27th, 2007

Sempre que um problema torna-se suficientemente grave como, por exemplo, o do trânsito brasileiro atual, surgem duas tendências: a primeira vem de um grupo enorme, mas pouco ou nada influente, que brada em alto e bom som que “alguém precisa fazer alguma coisa”, que “este Governo não faz nada”, que “trata-se de um caso de polícia”, e por aí vai; a segunda vem de um outro grupo, pequeno mas influente, por sua vez composto de dois tipos distintos de pessoas: de um lado, as que falam que saberiam como resolver os problemas mas não têm autoridade para fazer algo e, de outro, as que foram investidas da autoridade necessária para fazer algo mas não conseguem resolver os problemas, por razões as mais diversas, como falta de apoio dos escalões superiores, falta de verbas, falta de iniciativa própria, medo de errar e comprometer a carreira pública, quando não por pura ignorância ou simples pusilanimidade.

Concordem as autoridades ou não, o trânsito brasileiro matou perto de 1.000.000 de pessoas nos últimos 20 anos! Além disso, perto de 7 a 8 milhões de pessoas ficaram feridas nos acidentes, sendo alarmante a quantidade de incapacitados permanentes que deles resultou. O Brasil deste cenário, entretanto, é o mesmo capaz de demonstrar uma imensa dor coletiva quando um acidente aéreo mata 150 ou 200 pessoas… É também capaz de, surpreendentemente, montar a cada ano uma operação complexa com dezenas de milhares de postos de vacinação para manter longe a paralisia infantil, que há muitos anos não produz uma única vítima em todo o Território Nacional… É ainda o país que distribui gratuitamente todos os remédios para controle da AIDS e é tido como exemplo para o mundo inteiro… Por tudo isso, não há como fugir da pergunta: QUE FAZER PARA TORNAR O TRÂNSITO BRASILEIRO MENOS VIOLENTO E MAIS HUMANO?

É a partir daqui que se pode entender melhor cada uma das alternativas citadas: as pessoas que bradam por uma solução do Governo continuam bradando como sempre, as que não têm autoridade continuam sem ela como sempre e as que a têm elaboram planos, campanhas, projetos, fiscalizações, “blitze”, seminários, operações especiais, novas leis, novas multas e novas penalidades. De certo modo, isso também é o que sempre tem sido feito e, a bem da verdade, logo depois abandonado por falta de rigor e fiscalização. Como mexer com o trânsito propriamente dito parece não adiantar, restaria modificar a pergunta feita acima para “QUE FAZER PARA TORNAR O CONDUTOR BRASILEIRO MENOS VIOLENTO E MAIS HUMANO?”

Os legisladores do Congresso Nacional deram, já em 1998, uma resposta a esta pergunta: inovaram, ao aprovar o novo CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO (CTB), incluindo a obrigatoriedade da Educação para o Trânsito em todas as escolas dos ciclos fundamental, médio e superior. O CTB brasileiro é considerado um dos melhores do mundo. Infelizmente, passaram-se quase 10 anos da promulgação do CTB e a Educação para o Trânsito ainda não “pegou”: faltam, a um mesmo tempo, regulamentações, verbas, interesse, espaço curricular e, segundo o DENATRAN, não há projetos para analisar e aprovar. Na própria Sociedade Brasileira aparecem agora os que criticam a idéia de que a Educação para o Trânsito seja ministrada para os bebês do Fundamental, quando na verdade são os motoristas jovens que, por imprudência e alcoolismo, estão causando a maior parte dos acidentes. Como querer tirar a razão deles se, ao analisarmos também o adulto alfabetizado atual, podemos verificar que foi educado, quando o foi, pela lei da busca do resultado imediato, do “tirar nota boa na prova”, do “estudar para passar de ano”, do “pagar para tirar a Carteira Nacional de Habilitação”, do “menino, comporte-se senão eu conto pro teu pai quando ele chegar”, do “o negócio é levar vantagem, certo?”, do “vou arranjar um trampo no Serviço Público para me encostar o resto da vida?” ou “vou agüentar a Faculdade até o fim porque preciso do canudo”!!!

Nem podemos nos indignar quando ouvimos do próprio Ministério da Educação que mais de 70% dos adultos brasileiros alfabetizados são incapazes de interpretar um texto que eles mesmos acabam de ler! Nem podemos nos surpreender ao ouvir de tantos professores que, por vezes, têm medo de dar aulas por causa da violência dos alunos! Nós, os pais e avós de hoje, somos os únicos culpados por tudo o que está ocorrendo. Existe alguma atenuante? Claro que sim: nós não demos a educação correta aos nossos filhos porque também não a tivemos dos nossos pais. Que fazer? Mudemos o Ciclo Fundamental, para que todas as crianças brasileiras, nos primeiros 4 anos, apenas estudem as 4 operações, escrever, ler e INTERPRETAR TEXTOS. Fora isso, Educação para o Trânsito, pois a pobreza as força a ir A PÉ para as escolas e elas precisam ter percepção do risco que correm. E educação física. Nos anos seguintes, aprenderão qualquer coisa, pois saberão INTERPRETAR. Quando “tirarem” a CNH, serão filhos, estudantes, cidadãos e condutores bem diferentes que nós, os atuais adultos já totalmente incorrigíveis.

Resolução 245/07: Inversão de Valores no Trânsito!

sexta-feira, agosto 24th, 2007

transformers.jpgO Jornal Nacional nesta semana apresentou a opinião de pessoas de diferentes segmentos sobre a Resolução 245/07 do CONTRAN, que determina a obrigatoriedade do dispositivo antifurto nos veículos novos a partir de julho de 2009.

Montadoras questionam o valor do equipamento e sua implantação no veículo, pois acarretará um aumento de até R$2.000,00 ao preço final dos carros. Quanto a implantação, como todo equipamento de segurança, a sua localização dentro do veículo deveria ser de difícil identificação, para impedir que seja desativado por bandidos, porém, numa linha de produção, as montadoras alertam que isto não é possível. Consumidores desaprovam a obrigatoriedade da instalação do equipamento já que nem todos irão usá-lo e mesmo assim terão de pagar mais caro pelo veículo.

De todos os questionamentos feitos o que mais me chamou a atenção foi a inversão de valores. Até parece que o trânsito brasileiro é constituído de veículos mutantes. Esquece-se que existem pessoas por trás de cada um desses veículos e que mantê-las vivas em caso de acidente por causa de air-bags ou freios ABS, por exemplo, é muito mais importante do que localizar seu carro depois de um assalto. Recuperar um carro roubado pode até ser fácil se você pagar por este serviço, mas quero ver recuperar uma vida perdida em um acidente.

A triste consequência dos acidentes de trânsito

quarta-feira, agosto 22nd, 2007

volei-sentado-i.jpgSempre neste blog, falamos muito em mortes no trânsito, hoje o tema será outro: os que sobrevivem depois do acidente. Um triste índice foi divulgado ontem no Jornal Nacional, médicos calculam que, em São Paulo, de cada dez vítimas de acidentes de paralisia, quatro se envolveram em acidentes de trânsito.

São pessoas que teriam uma vida inteira pela frente e a partir de certo momento, tem que conviver com a dificuldade de reabilitação e readaptação à vida. Como se locomover, como estudar, como trabalhar, como, ao menos, tomar um banho? A luta pela superação torna-se constante na vida das pessoas que passam por essa experiência.

Na matéria, me chamou atenção o depoimento de Rosângela de Souza, de 27 anos, mãe de duas filhas. Ela diz: “É um minuto só para você se machucar, para você se recuperar é uma eternidade”. É triste ter essa consciência de que se perde tudo, os movimentos, a independência e em certos casos, até a vida, em uma fração de segundos. E geralmente se descobre depois que esse desastre poderia ter sido evitado- especialistas afirmam que 90% dos acidentes podem ser evitados.

Vale deixar como exemplo de superação a medalha de ouro dos meninos do vôlei sentado nos Jogos Parapan-Americanos. A maioria deles é vítima do absurdo que é o nosso trânsito, oito tiveram parte das pernas amputada por causa de acidente. E graças a Deus e ao esforço pessoal de cada um, estão aí, trazendo medalhas para o nosso Brasil e mostrando que o ser humano é capaz de superar os desafios e vencer certas barreiras. Parabéns a seleção da superação!!!!

O trio fatal: Álcool, Drogas e Volante

sábado, agosto 18th, 2007

Sextas e sábados, a partir das 18:00 horas, no Brasil ou em qualquer país do mundo, os habitantes das cidades querem fazer coisas diferentes das que fizeram a semana inteira: no lugar da rotina imposta pelos dias do trabalho, todos planejam sair e se divertir sem horários, regulamentos ou limites. De repente, milhões de veículos vão para as ruas, repletos de gente à procura de diversão e prazer: cinemas, salas de concertos, teatros, boliches, bares, restaurantes, boates, discotecas, tudo vale, tudo enche, tudo rola…

Como a vida em si é dureza, na hora da diversão o mundo em si também fica melhor se mudar um pouquinho: há milhares de anos, o homem descobriu ou inventou o álcool e, com ele, a capacidade de fabricar um sem-número de maneiras de fugir à realidade em doses líquidas. Na esmagadora maioria dos países atuais, o ato de ingerir bebidas com teor alcoólico é socialmente consentido: oferecer bebidas para alegrar convidados ou participantes de eventos é tão normal como os próprios eventos: uns e outros são praticamente indissolúveis.

O “drive” para testar as “novidades” que tiram o ser humano do normal é tão grande, no mundo inteiro que, em escala jamais atingida anteriormente, as pessoas começaram a usar substâncias que, comparadas com o álcool, oferecem um efeito muito maior, “turbinando” os sentidos e oferecendo a sensação de se “estar em outro mundo”: as drogas. E tudo seria lindo, maravilhoso, inocente e divertido se todos tivessem deixado os milhões de veículos motorizados em casa.

Estatísticas publicadas no Brasil confirmam que, em mais de 40% dos acidentes onde há a participação de pelo menos um veículo motorizado, alguns dos participantes, inclusive pedestres, estão sob a influência do álcool. Para dirigir dentro da lei, no Brasil, o condutor pode apresentar teor alcoólico máximo de 0,06%, enquanto não há limite estabelecido para os pedestres. Com uma lei como esta em pleno vigor, seria de esperar que as autoridades de trânsito fossem às vias públicas com todos os recursos possíveis para enquadrar condutores que estivessem dirigindo embriagados, pelo menos tentando evitar que terceiros inocentes paguem com a vida ou com incapacidades permanentes quando atingidos por bêbados ao volante.

Já existe, no mundo, um interessante arsenal de atividades e instrumentos que diferenciam as polícias atuantes das demais: presença à saída de festas, bares, restaurantes e clubes noturnos para efetuar testes ANTES que os proprietários embriagados comecem a dirigir, bafômetros para medir o teor alcoólico do sangue a partir do ar expelido pelos pulmões, automóveis que têm bafômetros ao invés de chaves de ignição e só “pegam” se a pessoa que sentar ao volante soprar e estiver abaixo do limite legalmente estabelecido; incentivo à formação de grupos com o chamado “amigo da vez”, nos quais, por turnos, um membro do grupo por veículo não bebe naquela festa para estar sóbrio e levar os demais sãos e salvos para suas casas; proibição de venda de bebidas alcoólicas em estabelecimentos situados a menos de 5 km e ao longo de todas as rodovias municipais, estaduais e federais, etc.

Isso seria possível no Brasil? Não só seria como é: no Estado de São Paulo não se vende bebidas alcoólicas à beira de estradas há muitos anos! Em Porto Alegre, há um movimento do tipo “amigo da vez” que percorre as baladas às sextas e sábados e conversa com todos os que estão bebendo para que, em tempo, arranjem uma carona, ou um amigo sóbrio para dirigir seu veículo. No lado inoperante, para variar, tudo o que depende dos 3 Poderes: bebidas sendo vendidas por falta de leis nas estradas em todo o País menos no Estado de São Paulo, falta de bafômetros por pura irresponsabilidade orçamentária, polícia ausente nos finais de semana por falta de combustível para as viaturas, por falta de vontade dos comandantes ou por instruções para “maneirar porque não podemos perder votos”, falta de rigor com os motoristas bêbados apanhados dirigindo ou após causar acidentes, não recolhimento das CNHs de infratores alcoolizados detidos, juizes determinando suspensão de medidas policiais que “atentem contra o direito de ir e vir do cidadão” e um sem-número de outras baboseiras.

Para não ficar apenas listando as coisas que não funcionam, quero pedir a Você, que está lendo esta inserção no “blog” do Portal do Trânsito, que me mande por e-mail relato de coisas positivas que as autoridades do lugar onde Você vive, neste Brasil, estão fazendo para diminuir os acidentes causados por motoristas intoxicados pelo álcool ou pela drogas. Teremos o prazer de contar para todo mundo as histórias que chegarem. Com uma única condição: o que Você nos contar tem que ser verdadeiro!!!

ISSO SÓ ACONTECE NO BRASIL? MENTIRA!!!

quarta-feira, agosto 15th, 2007

Quando vemos a quantidade de acidentes, mortos e feridos no trânsito do Brasil, somos levados a crer que só aqui uma coisa destas pode acontecer… Onde já se viu um volume de 50.000 mortos por ano em um país de menos de 200 milhões de habitantes com 40 milhões de veículos, quando a União Européia tem muito mais que o dobro disso de habitantes e de veículos e apresenta “apenas” 50.000 mortos ao ano? Não seria o caso de, mais uma vez, tentarmos “levar vantagem” dizendo que aqui, mesmo sem a educação para o trânsito nas escolas, morre a mesmíssima quantidade de pessoas ao ano que lá, onde tudo já foi feito? Pois na semana que passou estivemos com algumas dezenas de especialistas em um Fórum de Segurança e Educação para o Trânsito. Em parte, repetiu-se a modorra habitual provocada por doutos especialistas que, ao invés de provocar o debate para a busca de soluções dos problemas do trânsito brasileiro, utilizam o espaço que lhes é dado pelos organizadores para deitar sabença e dar aulas.

Algumas tentativas de debates, com moderadores e tudo, jamais passaram de ameaças, pois os que deveriam provocá-los se deixaram levar pela tentação do auto-elogio às próprias iniciativas, muitas já conhecidas de fóruns anteriores! Felizmente, desta vez alguns arautos de novos tempos apareceram e deram seus recados, entre os quais alguns especialistas estrangeiros convidados pelos organizadores. Foi na apresentação de um deles que os participantes tiveram os melhores momentos do fórum: a situação do trânsito na América Latina, ou seja, tudo o que existe ao sul dos Estados Unidos, só é relativamente boa no Brasil e no Chile, que têm leis boas e códigos nacionais de trânsito bem  estruturados. A partir do México, todos os países americanos de língua espanhola, exceto o Chile, usam leis de trânsito MUNICIPAIS!!!

Nestes países não existe um DENATRAN (Departamento Nacional de Trânsito), com jurisdição sobre todo o território nacional. O que existem são delegacias de trânsito em cada município. É por este motivo que, por exemplo, alguns caminhoneiros brasileiros efetuando viagens em países vizinhos foram “mordidos” 16 vezes na mesma viagem: a cada novo município cruzado aparecia um patrulheiro, inventava uma infração e cobrava “por fora” para não lavrar a multa… Logo que o caminhão voltava à estrada, o “cobrador” anterior passava um rádio para o município seguinte e logo aparecia um novo bolso vazio para rechear…

Na Argentina, por exemplo, cada candidato a condutor deveria freqüentar um centro de formação de condutores, uma “auto-escuela”, para fazer um curso antes de receber a licença para conduzir. Na prática, se quiser, o aluno pode pagar e resolver o assunto sem aula, sem estudar, sem mais nada: a licença rapidinho estará em suas mãos. Aí chega o verão e, logo após os festejos de Natal, 80 a 100 mil automóveis argentinos, uruguaios, chilenos e paraguaios vêm ao Brasil em busca das nossas praias e do nosso calor. Que fazem eles? Reclamam que corremos demais nas nossas estradas e os envolvemos em um sem-número de acidentes, enquanto eles mesmos cometem infrações que montam a mais de 30.000 multas emitidas (e não pagas) a cada ano, a ponto de ser montado um esquema especial pela Polícia brasileira para só deixar voltar para casa os infratores que pagarem suas multas ao Brasil antes de cruzar a divisa.

Junte a isto o fato, levantado pelo Ministério de Educação nas maiores cidades do Brasil, de que mais de 70% dos brasileiros adultos alfabetizados são capazes de ler, mas não compreendem o que lêem e teremos o quadro completo: brasileiros e visitantes se matando nas estradas à procura de férias e diversão. Ao invés de discutir até que fique definitivamente provado quem são os culpados, me parece melhor juntar esforços e criar uma força tarefa internacional para unificar as leis e as sinalizações, de forma a que em seus países ou a passeio, todos conduzam seus veículos sob código único. Me disseram que isto levaria uns 10 anos. Se demorarmos mais um ano para começar, levará 11…

Segurança: direito ou privilégio?

sexta-feira, agosto 10th, 2007

pobre-e-rico.jpgSegundo a Resolução 245/07 do CONTRAN todos os veículos novos, a partir de julho de 2009, terão de sair de fábrica equipados com dispositivo antifurto. O dispositivo deverá ser capaz de bloquear e rastrear o veículo, porém caberá ao proprietário habilitá-lo em local especializado de sua preferência, definindo o tipo e a abrangência do serviço.

O objetivo desta resolução é aumentar a segurança de proprietários de veículos e transportadoras, pois todo ano no Brasil, em média, são roubados 375 mil veículos e 700 milhões de reais são perdidos com o roubo de cargas. Do total de veículos roubados 45% são recuperados atualmente, com esta medida, porém, espera-se que 90% deles sejam resgatados.

O proprietário terá, portanto, a opção de habilitar ou não o equipamento antifurto. Se escolher a utilização do dispositivo, provavelmente terá desconto no preço do seguro, mas para manter o serviço, terá que arcar com uma despesa de R$40,00 a R$100,00 todo mês, dependendo do tipo de serviço contratado. Haja orçamento!

É… a realidade do Brasil é no mínimo questionável. Ao invés de criarmos medidas que aumente a segurança pública e diminua a violência, ficamos nos cercando cada vez mais de artifícios tecnológicos que não garantem nada, apenas nos dão uma falsa sensação de que talvez pagando mais possamos finalmente estar seguros. Se isso fosse verdade, os menos favorecidos (mais da metade da população brasileira), já teriam sido eliminados, pois somente os mais fortes sobrevivem.

Uma RÁDIO a serviço do TRÂNSITO

quarta-feira, agosto 8th, 2007

Rádio TrânsitoUm verdadeiro sonho foi realizado. Na verdade este era o sonho de muitas pessoas. Hoje podemos contar na Internet com uma rádio que tem a programação totalmente voltada ao Trânsito. E não apenas a congestionamentos, situação das vias de cidades, mas sim à Educação de Trânsito. É a Rádio Trânsito, a rádio do Portal do Trânsito.

E eu digo educação em todos os sentidos e para todos os públicos. Os Centros de Formação de Condutores têm um canal direto com a rádio, o programa CFC Online. Para aqueles que têm dúvidas sobre o trânsito, o programa Tira- Dúvidas, esclarece pontos polêmicos e questionamentos comuns a boa parte da população. Além disso, toda semana há uma entrevista com um especialista em trânsito para bater um papo sobre algum tema que esteja na mídia. E ainda, o Jornal do Trânsito, que traz as principais notícias do dia sobre ações educativas, estatísticas, curiosidades e muito mais.

Esse é só o começo de um projeto que ainda vai muito longe. Programas voltados à escola, ao automobilismo, e outras novidades vem por aí. Sempre que puder, acompanhe e participe. A rádio é um instrumento para a nossa sociedade. E este é um tipo de arma eficaz para propagarmos conscientização, e dessa forma contribuirmos para diminuir os números assustadores que aparecem por aí.

Para saber mais sobre a programação e ouvir a rádio, clique aqui.

TRÂNSITO, PSICOLOGIA E ELETRÔNICA

domingo, agosto 5th, 2007

Qual é o percentual de infratores de trânsito em relação ao total de condutores habilitados? É evidente que há mais de uma resposta para esta pergunta.  Logo de saída somos obrigados a particularizar: em que país?  Para não nos perdermos em um emaranhado de conceitos sobre educação, cultura e cidadania, vamos aceitar, por enquanto, a figura de 8% (oito por cento) considerada válida no Brasil, como percentual de condutores que cometem infrações de trânsito habitualmente. Isto significa que 92% de todos os condutores são comportados e conduzem seus veículos de acordo com as leis.  A par da importância de que se revestem os tais 8% como causadores de acidentes, cabe uma indagação: como identificar em tempo hábil estes 8% e nos ocuparmos de forma especial com eles? Uma das possíveis soluções pode ser viabilizada pela psicologia: examinar os jovens, na idade em que estão prestes a se submeter a exames para obtenção da primeira habilitação, visando identificar suas tendências de virem a pertencer ou não ao grupo dos 8% infratores depois que estiverem habilitados. Embora promissora, esta técnica está longe de tornar-se popular, mesmo em países tecnicamente muito mais avançados que o Brasil: há necessidade de bancos de dados  especializados para reunir as características, normais ou de exceção, das pessoas de cada país: isso só se consegue após muito tempo e sua aceitação não é tranqüila. Outra possibilidade de solução é a prometida por sensores eletrônicos e computadores, tanto instalados ao longo das vias como embarcados nos veículos.  A tecnologia já existente permite que sensores sejam utilizados para ligar os faróis quando escurece, acionar os limpadores de pára-brisas quando começa a chover, abaixar a luz alta ao cruzar com outros veículos à noite, evitar que um veículo colida com outro que trafega à sua frente, mesmo que o condutor esteja “com o pé na tábua”, etc., etc.  Se assim o desejássemos, poderíamos instalar nos veículos chips que se comunicariam com balisas eletrônicas nas ruas e rodovias: ao iniciar uma viagem, o veículo trocaria informações com dispositivos da via que forneceriam a velocidade máxima permitida, as condições eventualmente desfavoráveis como chuva ou nevoeiro, acidentes à frente, etc. De posse destas informações, o computador de bordo não permitiria infrações por parte do motorista. Como se isto não bastasse, o computador de bordo forneceria às balisas das vias os dados do veículo e do motorista: velocidade instantânea e média desde que começou a viagem, licenciamentos atrasados, multas pendentes, pontos demais no prontuário, tudo seria instantaneamente conhecido e transmitido para um posto de polícia à frente, para que as autoridades pudessem se preparar para ordenar a parada e retirada de circulação do veículo e/ou do infrator.  Resta saber se as nossas autoridades de trânsito receberão do Congresso Nacional, algum dia, autoridade para isso: por enquanto, exigências como a pintura de faixas no piso ou sinalização específica alertando para a existência de “pardais”, lombadas eletrônicas ou radares logo à frente representam a oficialização do faz-de-conta, a continuidade do que já está aí e, sem dúvida, mais alguns passos na direção errada.

Dia do Motociclista

quarta-feira, agosto 1st, 2007

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Sexta-feira passada (27) foi o Dia do Motociclista. Não sei se temos muito o que comemorar. Quem sabe uma das mudanças que temos que destacar é a importância que a sociedade, as autoridades e os próprios motociclistas tem dado a segurança desse tipo de usuário do trânsito.

Estão pipocando Resoluções do Contran que afetam diretamente o motociclista – aqueles que usam a moto para passeio e aqueles que a usam para o trabalho- entre outras, estão:
- a Res. 203 - Disciplina o uso de capacete para condutor e passageiro de motocicleta;
- a Res. 219 - Estabelece requisitos de segurança para transporte remunerado de cargas por motocicleta e motoneta;
- a Res. 228 – Que regulamenta o escapamento das motos.

Eu acredito que já estamos dando o primeiro passo, que tenho certeza, deve ir muito além, deve chegar na formação deste condutor. Aulas teóricas especiais, conteúdos específicos, prova prática mais exigente, enfim, muita coisa ainda deve ser mudada.

Além disso, o que deve acabar é a competição entre condutores de automóveis e motociclistas. É preciso que haja respeito nesta relação, respeito aos limites de cada um e, principalmente, respeito às leis de trânsito. Espero que tudo isso aconteça, e rápido! Tenho certeza que dessa forma, muitas mortes serão evitadas.