INFRAESTRUTURA EM GERAL, TRÂNSITO EM PARTICULAR
domingo, julho 29th, 2007Na vida de um país, no seu dia-a-dia, ocorrem fatos que falam si só, sem necessidade de quaisquer elaboradas explicações adicionais das autoridades ou seja de quem for. O caos aéreo mostrou a toda a sociedade brasileira que a Infraero cuidou muito bem das butiques dos aeroportos e pouco ou nada das pistas de pouso e infraestrutura técnica: agora, com o Ministro Jobim com “carta branca” para mandar e desmandar, veremos que ele poderá ser como os outros, que falam, falam e nada fazem, ou porá realmente a mão na massa, resolvendo os problemas causadores do “apagão” aéreo e mostrando que seus antecessores “sentaram em cima” das verbas e sempre foram os únicos e verdadeiros responsáveis. O mesmo ocorreu com as rodovias brasileiras. Somente depois que cerca de 80 % da malha rodoviária federal ficou em péssimo estado é que começaram a ser aplicados os remendos do Lula. Não é diferente o que está ocorrendo com a energia elétrica no Brasil. Se quisermos crescer 5% ao ano, precisamos de uma nova Itaipu a cada 4 anos. Estamos fazendo isso? Claro que não: nossos “especialistas” preferem ficar anos e anos discutindo a parte ecológica do problema, analisando o efeito do reservatório sobre a inclinação do eixo da Terra e inventando mil e uma dificuldades para, ao final, aprovarem tudo após vender suas facilidades. Como se não bastassem nossas mumunhas internas, ainda temos que aturar arrotos filosóficos de mandatários vizinhos que, contrariando o sentido em que corre o Rio Madeira, reclamam que estamos a prejudicar a Bolívia quando projetamos usinas em nosso território, à jusante do ponto em que o rio corta a fronteira Brasil- Bolívia!!! De resto, nossa ojeriza por infraestruturas é secular: temos 8.500 km de costas navegáveis o ano inteiro que sub-utilizamos; temos a maior malha fluvial do mundo e ainda não começamos verdadeiramente a usá-la, a não ser na Amazônia, porque lá não há outro jeito; as poucas ferrovias que temos estão aos cacos e ainda com bitola estreita… Você, leitor, pode estar perguntando: mas o que é que tudo isto tem a ver com o trânsito seguro? Posso garantir que TUDO: é esta nossa infraestrutura deficiente a responsável, em grande parte, pela ausência de novos investimentos geradores de empregos dignos para a nossa população; é o abandono das estradas que gera acidentes, mortos e feridos; é o sucateamento dos radares, computadores e seus programas que causam o apagão aéreo, seus acidentes, mortes e consternação. É a falta de navios e trens para transportar nossos grandes volumes de cargas que geram a necessidade de cada vez mais caminhões, muitos com excessos de peso, a demandar cada vez mais estradas para estragar e esburacar… Quando a energia elétrica começar a faltar, não faltarão falsos profetas a bradar: “Eu já sabia…” Finalmente, para não esquecer, sobrarão miseráveis sem emprego e sem pão que, por absoluta necessidade, nos assaltarão quando estivermos conduzindo nossos veículos nas linhas vermelhas e amarelas da vida, talvez arrastando mais alguns de nossos filhos à morte por arrasto, pela cocaína ou pelo crack. Paciência? Até quando?
