Arquivos de junho, 2007

Vai uma cervejinha aí?

sexta-feira, junho 29th, 2007

alcool.jpgO jornal Bom Dia Paraná da RPC exibido hoje divulgou uma campanha realizada por Policiais Rodoviários em Capanema/PR para diminuir o consumo de álcool na cidade e região. O aumento no número de usuários de drogas e álcool no Brasil foi constatado em pesquisas recentes da ONU, fato que mobilizou até Policiais Rodoviários da Argentina a participarem da campanha.

Preocupado com as inúmeras imprudências de condutores alcoolizados na cidade, o juiz da comarca de Capanema quer envolver a comunidade na discussão do tema e por fim coibir a venda de álcool por via legal. Se você fosse morador desta cidade qual seria sua opinião? Abriria mão da cervejinha gelada com os amigos à tardinha para garantir a sua segurança e a dos outros no caminho de volta pra casa? Se ficou em dúvida ou acha que uma ou duas cervejas no fim do dia não faz mal a ninguém, preste atenção nos números abaixo:

  • O álcool é a droga preferida de 68,7% brasileiros, seguido pelo tabaco.
  • Segundo a Secretaria Nacional Anti-drogas 12% dos brasileiros são alcoólatras.
  • 90% das internações em hospitais psiquiátricos por dependência de drogas acontecem devido ao álcool.
  • Motoristas alcoolizados são responsáveis por 65% dos acidentes fatais em São Paulo.
  • O alcoolismo é a terceira doença que mais mata no mundo.
  • O álcool causa 350 tipos de doenças físicas e psiquiátricas, e torna dependente um de cada dez usuários.
  • O maior índice de alcoolismo ocorre entre os 25 e 45 anos.
  • Pesquisa realizada em 5 capitais brasileiras revelou que 45% dos jovens entre 13 e 19 anos envolvidos em acidentes de trânsito haviam ingerido bebida alcoólica.

O papel da imprensa

quarta-feira, junho 27th, 2007

Todos os dias nos deparamos com notícias que relatam tragédias – acidentes e mortes- sobre o trânsito no Brasil. Números expressivos e marcantes, dados estarrecedores, enfim conteúdo que nos choca cada dia mais.

Será que isso é suficiente? Acho que não, porque os veículos de comunicação deveriam dar mais espaço para aqueles que podem apontar soluções práticas para esses problemas que encontramos no trânsito. Não tiro a importância de mostrar a realidade difícil dos números, mas podemos exigir algo a mais. Existem vários especialistas de trânsito no Brasil com bagagem suficiente para dar aula sobre este tema. Jornalistas, explorem isso!

Eu, como jornalista, acredito estar fazendo a minha parte. Trabalho com educação de trânsito em diversos veículos, o Portal do Trânsito, este Blog e agora a Rádio Trânsito. Tenho uma certeza: estou plantando uma semente e acredito que um dia colherei frutos desse trabalho!

Teremos que chegar a tanto?

domingo, junho 24th, 2007

O Brasil foi enlutado, em setembro de 2006, pela maior tragédia aérea já ocorrida no País: a morte de uma centena e meia de pessoas provocada pela queda de um Boeing novo da GOL, após chocar-se com um jato executivo Legacy que, de tão novo, fazia a sua primeira viagem. Um choque de dois aviões novos sobre a vastidão da selva amazonica é algo tão improvável que todos ficaram estarrecidos quando aconteceu. De lá para cá, familiares, amigos e parentes das vítimas, secundados por seus advogados, vêm movendo céus e terras para identificar culpados e conseguir condená-los, para habilitar-se a indenizações de incontáveis milhões de dólares.

O Governo Federal está sendo processado de diversas maneiras para que sejam apuradas as parcelas de responsabilidade do Ministério da Aeronáutica, da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (INFRAERO), do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (CINDACTA), dos controladores de vôo, dos mantenedores de equipamentos, dos responsáveis pelos orçamentos que têm recursos para manter tudo funcionando e criminosamente não os utilizam, etc., etc., etc. Por parte das mais altas Autoridades Federais, o que se vê, passados mais de nove meses, é um desfile de atos falhos, desculpas ministeriais esfarrapadas, comentários infelizes e bobagens homéricas ditas em horário nobre da televisão.

Por parte dos responsáveis diretos, uma sucessão de operações-padrão, corpo mole, mentiras, ausências do trabalho, boicotes e verdadeira formação de quadrilhas. A população, que paga todos estes serviços arcando sob uma carga tributária simplesmente escorchante, não só é obrigada a assistir a todos os episódios deste espetáculo de palhaços circenses como, na qualidade de usuária pagante com reservas confirmadas previamente pelas empresas aéreas, atura o maior dos desaforos, que é o de sofrer com atrasos, mudanças e cancelamentos de vôos e, ao tentar saber das razões, é tratada como um bando de débeis mentais.

Imaginem, apenas imaginem se cai mais um avião e morre mais gente no Brasil por culpa do CINDACTA: é mais um figurão começar a falar bobagens como as que foram ao ar e aos jornais recentemente e caem do galho não só os Srs. Ministros como até o próprio Presidente da República! Evidentemente toda esta agitação foi provocada pelo impacto de uma e meia centena de passageiros inocentes vitimados por erros crassos do sistema de controle aéreo do Brasil: cada autoridade está tentando livrar o próprio traseiro da seringa que, mas dia, menos dia, vai espetá-lo!

País interessante, este nosso: dentro de poucos meses, a Lei Federal 9,503, de 23/09/1997, mais conhecida como CTB- CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO, irá completar DEZ ANOS. Considerada, à época, uma das melhores leis para o trânsito do mundo, ela prevê a constituição, com verbas obtidas a partir de um percentual das multas de trânsito aplicadas em todo o País, de um FUNDO para a SEGURANÇA e a EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO. (FUNSET). Sabe-se que mais de 90% dos acidentes de trânsito de todos os tipos são causados por falhas humanas: falhas ao conduzir, falhas ao consertar veículos, falhas por não consertar estradas e veículos, falhas na fiscalização, falhas na concessão de documentos de habilitação, etc.

O legislador reconheceu este importante fator e estabeleceu que a Educação para o Trânsito, a ser ministrada em todas as escolas dos ciclos Fundamental, Médio e Superior, é um dever das Autoridades competentes e um direito do cidadão. O mesmo está estabelecido em relação à segurança no trânsito. É lógico concluir que, com quase 10 anos de vigência desta importante lei, a educação para o trânsito esteja realmente sendo lecionada em todas as escolas do País e que estejamos em plena caminhada para baixar os índices verdadeiramente vergonhosos de mortos e feridos em acidentes de trânsito nas estradas e ruas do Brasil.

Da promulgação do CTB para cá, MORRERAM em acidentes no Brasil de 300.000 (TREZENTAS MIL) a 600.000 (SEISCENTAS MIL) pessoas. A primeira cifra é admitida pelas Autoridades, a segunda é admitida como MÍNIMO, por todos os demais, após removida a camuflagem criminosa das estatísticas oficiais. Dá para entender que a Educação para o Trânsito AINDA NÃO FOI IMPLANTADA NAS ESCOLAS ATÉ HOJE? Se dividirmos a cifra admitida pelas Autoridades(300.000) pela lotação do Boeing acidentado da Gol (154 pessoas) concluiremos que, nestes 10 anos, perdemos o equivalente a 1.948 (MIL NOVECENTOS E QUARENTA E OITO) lotações de Boeing completas nas estradas brasileiras.

Há quem calcule que a indenizaçào de um passageiro da GOL deva ser de um milhão de reais para a família enlutada. Se um dia o Governo Federal for processado para indenizar os tais 300.000 mortos e os 5.000.000 de feridos nas estradas brasileiras e perder, estará concretizada a maior distribuição de renda em um único país em todos os tempos: as indenizações chegariam a 2 PIB’s brasileiros anuais! Será que teremos que chegar a este ponto para ter Educação para o Trânsito nas escolas e conseguirmos formar cidadãos com a atitude e consciência exigidas por todos e reconhecidas como necessárias pelo CTB?

Quando o pecado se torna infração!

sexta-feira, junho 22nd, 2007

Segundo os 10 mandamentos do trânsito criados pelo Vaticano e divulgados esta semana, o condutor precisa ser “catequizado” novamente. Mas diferente de um pecado “comum”, onde depois do ato o pecador terá apenas de enfrentar a sua própria consciência e talvez acertar contas com Deus futuramente, no trânsito pecado (segundo os 10 mandamentos citados) é infração e pode gerar graves conseqüências bem reais ao condutor.

Enquadrando os 10 mandamentos nas infrações caracterizadas pelo Código de Trânsito Brasileiro, teremos as seguintes conseqüências ao “pecador”:
1º - Praticar homicídio culposo: detenção de dois a quatro anos (podendo ser aumentada de um terço à metade dependendo da condição) e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir.
2º - Direção perigosa: multa de R$ 191,54, recolhimento da CNH, retenção do veículo e suspensão do direito de dirigir.
3º - Conduzir de forma desatenta e descuidada: multa de R$ 53,20.
4º - Deixar de prestar ou providenciar socorro à vítima de acidente: multa de R$ 957,70, recolhimento da CNH e suspensão do direito de dirigir.
5º - Usar o veículo para exibição e demonstração de perícia: multa de R$ 957,70, recolhimento da CNH, apreensão e remoção do veículo e suspensão do direito de dirigir.
6º - Dirigir sem ser habilitado: multa de R$ 574,62, apreensão do veículo e recolhimento da CNH do proprietário do veículo.
7º - Deixar de prestar ajuda, quando solicitado por autoridade: multa de R$ 127,69.
8º - Evadir-se do local do acidente: multa de R$ 957,70, recolhimento da CNH e suspensão do direito de dirigir.
9º - Ameaçar pedestres ou veículos que cruzam a via: multa de R$ 191,54, recolhimento da CNH, retenção do veículo e suspensão do direito de dirigir.
10º - Não respeitar a preferência dos demais condutores: multa de R$ 127,69.

Estas são algumas interpretações do CTB que podem ser aplicadas ao condutor que infringir os mandamentos listados pelo Vaticano. Portanto, os condutores que costumam dirigir sem se preocupar com alguns deslizes “pecaminosos” no trânsito devem ficar mais atentos, pois será necessário bem mais que confissão para se livrar das conseqüências.

Os 10 Mandamentos do Vaticano para o Trânsito

quarta-feira, junho 20th, 2007
Matéria publicada em diversos veículos de comunicação do País mostrou a reação dos católicos quanto aos problemas do trânsito. A cidade do Vaticano divulgou as suas próprias regras e criou os 10 mandamentos para o trânsito. São eles: vaticano-p101.JPG

01 Não matarás.
02 A estrada seja para ti um instrumento de ligação entre as pessoas, não de morte.
03 Cortesia, correção e prudência para te ajudar a superar os imprevistos.
04 Ajudar o próximo, principalmente se for vítima de um acidente.
05 Que o automóvel não seja um lugar de dominação e nem lugar de pecado.
06 Convencer os jovens sem licença a não dirigir.
07 Dar apoio às famílias que tenham parentes vítimas em acidentes.
08 Reúna-se com a vítima com o motorista agressor em um momento oportuno para que possa viver a experiência libertadora do perdão.
09 Proteger o mais vulnerável.
10 Você é o responsável pelos outros.

Sem julgar o aspecto religioso do tema, qualquer ação que apóie a segurança no trânsito é válida e vem somar para a prevenção de acidentes. Se pelo menos os católicos obedecerem aos 10 mandamentos - grande parte da população mundial segue a religião - certamente já teremos um resultado positivo.

Agora se toda a sociedade praticar esses conselhos, todos nós ganharemos com isso, pois os mandamentos são extremamente válidos e mais do que a segurança no trânsito prezam a cidadania e o bom senso no relacionamento entre os usuários desse imenso espaço social.

Dura lex, sed lex

domingo, junho 17th, 2007

DURA LEX, SED LEX (Lei dura, mas lei!)

Na semana que passou tivemos o desprazer de ouvir, no BOM DIA, BRASIL da Rede Globo, o comentário de Alexandre Garcia sobre o controvertido dispositivo da obrigatoriedade de alerta prévio aos motoristas, nas rodovias, quando houver logo à frente qualquer dispositivo eletrônico de controle, medição e aplicação de multas por excesso de velocidade. Dizia ele que, no feriadão de Corpus Christi de 2007, morreram mais de 90 brasileiros em acidentes de trânsito em todo o País, cerca de 30% a mais que em 2006. Causa apontada: cerca de 13% a mais de velocidade média, possibilitada pelo aviso prévio, dado ao motorista, de que há um “pardal” logo à frente. Faz sentido? Bem, o condutor alertado pelo pré-aviso passa à velocidade máxima permitida, ou menos, pelo controle eletrônico. Logo após, entretanto, a maioria dos condutores retoma a velocidade livre em que vinha, até que apareça um novo aviso.

Luiz Geraldo Mazza, da CBN de Curitiba, comentou logo depois a notícia da Globo, dizendo que os curitibanos têm agora algo do que se orgulhar, já que foi exatamente em Curitiba que começou a onda do alerta prévio, na forma de três faixas transversais verdes na pista, de que há “pardal” adiante. Curitiba teria a “glória”, assim, de ter sido pioneira na questão. Uma lei é boa quando surte o efeito nela previsto para a maioria dos cidadãos e existe fiscalização para punir a minoria infratora. Se assim deve ser, analisemos o que está ocorrendo nas rodovias brasileiras com cada parte envolvida.

A LEI reza que a velocidade máxima em uma rodovia brasileira pavimentada é de 110 Km/hora, salvo em local, devidamente sinalizado, para o qual a Autoridade de Trânsito tiver determinado velocidade máxima maior ou menor. Por outro lado, a velocidade mínima será de metade da velocidade máxima no local. É, portanto uma obrigação fácil de entender, de cumprir, de fiscalizar e de punir.

O CONDUTOR BRASILEIRO jamais recebeu Educação para o Trânsito em sua casa ou nas escolas que freqüentou. Pior: desde a mais tenra idade, ouve que se deve estudar para tirar notas boas nas provas. Estudar para a vida toda? Prá que? E na hora de requisitar exames para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), como é que é? Ora, o mesmo de sempre: vamos estudar para passar no exame e pegar a CNH…o resto a gente vê depois! Se isso não bastasse, as mídias entoam odes às trepidantes características de automóveis novos e mexem com o imaginário do jovem: de ZERO a CEM Km/h em 6,5 segundos, velocidade máxima de 250 Km/h limitada por governador eletrônico, bi-turbo “cheio” desde as mais baixas rotações e por aí vai. De repente, o jovem tem a oportunidade de dar uma voltinha em uma destas maravilhas: quem pode censurá-lo por “vestir” ao redor de si o bólido metálico e sair pelas ruas e estradas “pra dá um ferro”?

O GOVERNO BRASILEIRO deveria dar o bom exemplo de cidadania, mas todos os dias se vê o que fazem certas autoridades, nos três poderes: corrupção para todos os lados, criação de dificuldades para colocação de facilidades, venda de CNHs, limpeza de pontos dos prontuários nos DETRANS, impunidade garantida por imunidades, etc., etc. As Câmaras Municipais, Assembléias Estaduais e o Congresso Nacional aprovam as leis, que são sancionadas pelos Executivos e deveriam entrar em vigor com sua redação original. Isso seria ótimo, mas algumas leis “não pegam”, seja por falta de regulamentação em tempo hábil, seja porque sua entrada em vigor cria um novo tipo de “caixinhas”, etc. Outras, mesmo regulamentadas, como a da velocidade máxima, são modificadas porque “afrontam a liberdade individual do cidadão” ou suspensas, porque configuram uma indústria de multas. Recentemente adotou-se, em detrimento de todas as necessidades da área, uma nova moda chamada superávit fiscal, em nome do qual os recursos arrecadados especialmente para uso na educação e segurança do trânsito são ocultados sob rubricas hermeticamente fechadas, sobre as quais as autoridades “sentam”, passando a “administrar recursos contingenciados”.

As AUTORIDADES DE TRÂNSITO têm efetivos suficientes para fiscalizar, mas fiscalizam pouco e mal. Apesar de ter veículos, equipamentos de comunicação e boa infra-estrutura, muitas vezes ficam imobilizados por falta de quotas de combustíveis. Quando partem para exigir e fiscalizar, são impedidos pelas chefias às quais são subordinados ou manietados por leis locais, restrições ou mudanças nas leis. Muitos, ainda, fiscalizam de forma errada: comprovam os erros dos condutores “em campana”, escondidos com radares atrás de arbustos. Como se isto não bastasse, corrompem ativamente dando “mordidas”, aceitando subornos para deixar de multar. Em sua maioria, tiveram educação deficiente tanto em casa como na escola: agora, profissionais adultos, mostram suas deficiências para ajudar a prevenir os problemas de trânsito e valem-se de sua posição de autoridade e da fragilidade dos condutores apanhados em infrações para afrontá-los, amedrontá-los e, não raramente, extorqui-los.

Se é que o Ministério da Educação está certo, o PÚBLICO EM GERAL tem pouca ou nenhuma chance de vislumbrar soluções. Um país 74% de adultos alfabetizados que não conseguem interpretar um único parágrafo imediatamente depois de lido não pode realmente esperar que seus condutores tenham percepção adequada dos riscos do trânsito, muito menos que passem a agir de acordo. Paradoxalmente, é o público contribuinte quem paga por mandos e desmandos, temperados por mais de mil sepultamentos das vítimas do trânsito brasileiro por semana: isto mesmo, mais de 6 tragédias como a do GOL que matou 154 pessoas POR SEMANA!!!

Diante de tal emaranhado, que deveríamos fazer com os infratores da velocidade?

Honestamente, acho que deveríamos simplesmente adotar o que funciona muito bem nos Estados Unidos: é mais fácil a Autoridade de Trânsito endurecer e fazer cumprir, sem exceções e com absoluta exatidão e rigor, a lei da velocidade máxima que já existe! Pergunte para os brasileiros que se meteram a rabequistas na Flórida, abusaram da velocidade e foram apanhados, como é que a coisa funciona por lá: o infrator é multado, tem que pagar a multa antes de voltar para o Brasil e é logo avisado que, se não o fizer, terá seu nome registrado na lista negra do Serviço de Imigração; quando voltar aos Estados Unidos, será barrado e deportado de volta ao Brasil no mesmo dia. Uma lei dura pressupõe aplicação dura: os infratores brasileiros, que são uns 8 a 10% do total de condutores, sentiriam a dor em seu órgão mais sensível, o bolso, mas logo aprenderiam, como recentemente aprendemos todos a usar cintos de segurança. Se, com medidas duras, conseguíssemos abater apenas metade das mortes causadas pela alta velocidade nas estradas, tudo teria valido, pois ninguém, entre todos os envolvidos, terá coragem para duvidar do quanto valem as vidas assim salvas.

As famílias ainda não enlutadas, apesar de raras, agradeceriam!

Trânsito é Movimento… Não em São Paulo!

sexta-feira, junho 15th, 2007

Hoje pela manhã quem assistiu a reportagem do Bom Dia Brasil da Globo, pode constatar o caos vivenciado no trânsito pelos moradores da cidade de São Paulo. A maior cidade do Brasil alcançou o recorde de 172 km de congestionamentos. Também pudera, todos os dias são registrados 500 novos veículos na cidade, o que contribui para a circulação de 3,5 milhões de veículos todos os dias em São Paulo.

A falta de planejamento da cidade é a justificava da maioria dos estudiosos da área. Casas térreas que abrigavam em média dois veículos deram espaço a prédios que correspondem a 60 casas, por exemplo, aumentando a circulação de acesso para 120 veículos.  Segundo os próprios especialistas, a solução seria investir mais em transporte público, principalmente na expansão dos metrôs, com o objetivo de estimular os condutores a deixarem seus carros em casa.

Segundo o presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego – CET, Roberto Scaringella, os congestionamentos de carros são agravados potencialmente pelo alto tráfego de caminhões nas principais vias de acesso da cidade. Sua proposta é estipular faixas exclusivas de circulação para caminhões.

O CTB concede autonomia aos órgãos de trânsito estaduais e municipais para adequarem a legislação à realidade e necessidade vivenciadas em cada local. A determinação de faixa exclusiva para caminhões, por exemplo, seria legal, porém a sua eficácia deve ser questionada.

Quem não se lembra das faixas exclusivas para motos? Foi uma ação isolada, sem a realização de nenhuma campanha de conscientização para condutores, motociclistas ou pedestres. O resultado foi inúmeros acidentes, atropelamentos e mortes. Esperamos que desta vez, ao tentar solucionar os congestionamentos de veículos, a engenharia pense também nas outras PESSOAS que compartilham este espaço sem a “proteção” de uma armadura móvel.

Aulas fantasmas rendem acidentes reais

sexta-feira, junho 8th, 2007

fantasma-morte.jpgNa última quarta-feira o programa Paraná TV da Rede Globo comprovou que mesmo depois de 10 anos de vigência do Código de Trânsito Brasileiro as antigas auto-escolas ainda não entenderam a real responsabilidade que têm perante a sociedade. Como determina a Resolução 168/04 do CONTRAN condutores habilitados antes de 1998 terão de comprovar conhecimentos teóricos de Direção Defensiva e Primeiros Socorros ao renovar a habilitação. Para isso é possível fazer uma prova gratuita diretamente no DETRAN ou realizar um curso pago de 15 horas/aula em um Centro de Formação de Condutores (CFCs).

A questão é que alguns CFCs mal intencionados estão, criminosamente, cobrando pelo curso, porém, isentando os condutores de assistirem as aulas. O mais absurdo é a justificativa que dão para isso, dizendo que tempo é dinheiro para ambos (condutor e CFC) e que se o condutor sabe a quem chamar diante de um acidente ele não precisa de conhecimentos específicos de primeiros socorros.

Tenho certeza que o objetivo do CONTRAN ao publicar a resolução 168/04 nunca foi dar lucro rápido para os CFCs, nem facilitar a vida de alguns “espertos” condutores de longa data. Mas o que mais me admira nisso tudo é ver instituições como os CFCs, que tem o privilégio de trabalhar com um tema tão importante como a educação para o trânsito, onde a conscientização pode ajudar a salvar vidas, se resumir ao único objetivo de ganhar mais dinheiro fácil.

Na minha opinião os CFCs deveriam ser responsabilizados pelos acidentes de trânsito cometidos por condutores formados, reciclados ou especializados nas suas instituições. Talvez desta forma eles se preocupariam mais com a qualidade de ensino que estão oferecendo (quando estão) do que com o preço que irão cobrar pelas aulas fantasmas.

Tira-Dúvidas sobre o trânsito

terça-feira, junho 5th, 2007

interrogacao.pngQuando comecei a trabalhar com o trânsito, sempre tive muita vontade de poder passar o conhecimento que adquiri – e ainda estou adquirindo - a todas as pessoas que tem pouca informação sobre o tema. Como temos vários serviços pelo Brasil afora que tiram, por exemplo, dúvidas de gramática, eu gostaria de criar um serviço desse tipo para tirar dúvidas das pessoas sobre o trânsito.

Através do Tira-Dúvidas do Portal do Trânsito tenho conseguido atingir esse objetivo, é claro que sonho com o dia que este serviço possa chegar a toda a população que tem dúvidas sobre as leis em vigor, responsabilidade em caso de acidente, normas de circulação e conduta, entre outras. Mas já estou feliz com o resultado alcançado nesse começo de trabalho.

As pessoas que tem acesso as informações corretas, não tem mais desculpa para ter atitudes erradas. E sinto que o Trânsito é um segmento que precisa muito de conhecimento. As pessoas não sabem nem quem tem a preferência num cruzamento sem sinalização, quanto mais o conteúdo das últimas resoluções do Contran. É aí que entra o Tira-Dúvidas, um serviço importante que está a disposição da sociedade brasileira.

Acesse http://www.portaldotransito.com.br/duvidas/tiraduvidas.asp

Acidentes de Percurso

segunda-feira, junho 4th, 2007

cias_em_transito.JPGNão é do conhecimento de muita gente, mas o número de pessoas que sofre acidentes de percurso - acidentes que ocorrem quando as pessoas vão e voltam do trabalho- chega a 110.000 por ano no Brasil.

Estes acidentes ocorrem em grande número e lamentavelmente não existe uma preocupação maior das empresas em procurar alertar e preparar seus funcionários para que ele tenha uma maior atenção a este assunto e também compartilhe esta preocupação com sua família.

Os custos com estes acidentes são absurdos, vejamos: o custo médio direto de qualquer empresa com um acidente é de R$ 8.472,00 e a empresa paga 50 % deste valor, já o custo indireto chega aproximadamente a R$ 22.500,00. O custo médio anual gasto no Brasil é de cerca de R$ 32 bilhões. Quando falamos de previdência, só em benefícios os valores chegam a R$ 4 bilhões e em aposentadorias especiais R$ 5,3 bilhões.

Estes acidentes atingem 68% de homens, com idades que vão de 19 anos a 44 anos, pessoas que estão trabalhando , produzindo, ou seja, economicamente ativos. Se as empresas tivessem o espírito da prevenção e da promoção da qualidade de vida de seus funcionários, acredito que poderia haver uma grande redução de acidentes.

Obs. Os dados acima foram tirados do Programa Cias em Trânsito, programa de prevenção de acidentes para empresas.