Arquivos de abril, 2007

Semana do Trânsito

quarta-feira, abril 25th, 2007

calendario.jpgUm assunto que está em todos os jornais é a I Semana Mundial de Segurança no Trânsito, que acontece de 23 a 29 de abril, em Genebra- Suíça, evento promovido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O tema deste ano é “O jovem e o trânsito”, o que mostra a preocupação das Nações Unidas em conscientizar essa geração para que haja a redução dos fatores de risco mais comuns que dão lugar a graves lesões, incapacidades e mortes por acidentes de trânsito nas Américas e em todas as regiões do mundo.

Entre os adolescentes brasileiros, os acidentes já são a segunda maior causa de morte, perdendo apenas para os homicídios. Segundo o Ministério da Saúde, essas mortes estão ligadas principalmente ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas, à alta velocidade dos veículos e ao não uso do capacete e do cinto de segurança. Até aí, nenhuma novidade. Já é de conhecimento de todos que nossos jovens se acham “imortais” e quando saem de casa esquecem tudo que lhes foi ensinado, se é que foi ensinado (este é um tema para outro post!!!).

O que eu quero mostrar é que eventos como esse da OMS promovem ações nos diversos cantos do país, as autoridades se mexem, a sociedade se inflama, a mídia divulga e as pessoas se unem por um mesmo ideal. É uma pena que isso só acontece uma vez por ano, no máximo duas (não esqueçam da Semana Nacional de Trânsito).

O nosso trabalho é não deixar que essa chama se apague e continuar falando sobre esse tema, de extrema importância, por todos os dias do ano!

Filho de peixe, peixinho é!

segunda-feira, abril 23rd, 2007

pai-e-filho.jpgOntem foi divulgada no Fantástico da Rede Globo uma pesquisa sobre Jovens inconseqüentes ao volante. Entre as várias constatações obtidas através da pesquisa destaca-se, ao meu ver, a de que um em cada cinco jovens brasileiros de 16 ou 17 anos dirige ou pilota veículo automotor, mesmo sem ter sequer idade para habilitar-se.

Segundo o Código de Trânsito Brasileiro a idade mínima para candidatar-se à primeira habilitação é 18 anos. Antes desta idade se um jovem for pego dirigindo (apenas dirigindo) será multado em R$ 574,62, o veículo será apreendido e haverá recolhimento da CNH do proprietário. Mas, qual destas penalidades e medidas administrativas recairá exatamente sobre o jovem infrator? Nenhuma!

Para um jovem nessa idade estar dirigindo, ele precisa que alguém tenha comprado o veículo e lhe permita dirigir. E quem geralmente é esse “alguém”? Os próprios pais! Mas, como cobrar responsabilidade dos jovens se são os próprios pais que concordam com tal situação (ou fingem que não sabem) e que literalmente pagam pelas infrações e mau comportamento dos inconseqüentes filhos?

Tragédias transformadas em grandes atitudes

quinta-feira, abril 19th, 2007

Uma das minhas funções, no meu trabalho, é pesquisar notícias sobre o trânsito que são veiculadas nos principais jornais do País. Certa vez, recebi um e-mail de uma moça, chamada Daniele, me pedindo para pesquisar sobre um acidente ocorrido em frente a uma empresa, nas margens de uma rodovia, em Curitiba.

Revirei meus arquivos e encontrei a tal notícia. Respondi, enviando-lhe a matéria na íntegra. Ela retornou me contando a sua história: nesse acidente, a vítima fatal de um atropelamento, era a irmã dela, Ângela, de apenas 24 anos, noiva e prestes a se formar. Perdeu a vida tentando atravessar a rodovia, no local não há passarela para os pedestres e os carros passam por ali em altíssima velocidade.

Mesmo acostumada com relatos de tragédias, até por trabalhar com o tema trânsito, me sensibilizei com a história da Daniele. Mesmo com a família despedaçada, resolveu lutar por mudanças: reivindicar mais segurança às pessoas que atravessam aquela rodovia todos os dias, pois ela acredita que a morte de Ângela não pode ser apenas mais uma dentro das estatísticas.

Daniele, imagino que não está sendo fácil, mas tenho certeza que com a sua atitude, a vida de muitas pessoas ainda pode ser salva. Tenha força!

Informar, educar e formar

quarta-feira, abril 18th, 2007

Uma situação muito conhecida por quem atua na área de CFCs - Centro de Formação de Condutores (Auto-Escola) ilustra bem o quanto estamos despreparados para o assunto trânsito: o candidato à CNH - Carteira Nacional de Habilitação (Carteira ou Carta de Motorista) chega ao CFC contrariado com a idéia de ver-se obrigado a fazer um curso teórico e ainda ser submetido a uma prova! Sequer sabe que a CNH não é um direito adquirido junto com o carro (ou com a maioridade) e sim uma permissão temporária que o Estado vai lhe conceder, ou não, conforme seu desempenho frente às exigências do CTB - Código de Trânsito Brasileiro.

Por não ter recebido qualquer informação prévia (quem dirá EDUCAÇÃO!) sobre o assunto, o cara (ou “a” cara) pensa que dirigir é um direito que lhe assiste. O baque é inevitável. E triste. Deprimente, na verdade. É meio ridículo ver um “adolescente-candidato-a-adulto” reclamando porque “passou no vestiba, ganhou um carro do velho e agora quer dirigir por aí” criticando o que julga serem “exigências legais absurdas” para obter sua CNH. Isso acontece. E muito. Imagine a trabalheira que o instrutor do CFC tem que enfrentar. Lidar com uma turma de candidatos à 1ª Habilitação é um desafio didático-pedagógico imenso, tanto por conta destes pré-conceitos, quanto pela própria heterogeneidade da turma: tem gente de outras faixas etárias, grau de escolaridade, condição sócio-econômica, expectativas e necessidades as mais diversas, todos na mesma sala de aula.

A quase totalidade das pessoas não faz idéia da importância que um CFC tem para a sociedade. Também não imagina como é que funciona o processo de habilitação – ou como ele deveria funcionar. Sofremos por falta INFORMAÇÃO que, cá entre nós, é o mínimo não é?! E por falta de educação, que é o mais triste de tudo.

Com um bom trabalho com crianças e jovens (Educação para o Trânsito em casa e nas escolas), a nobre missão das Auto-Escolas (Formação de Condutores) seria facilitada: por um lado, porque não haveria distorções a serem corrigidas e o curso já poderia começar de um patamar mais evoluído e, por outro, os maus CFCs e Auto-Escolas simplesmente não sobreviveriam, pois seus clientes saberiam diferenciar os bons instrutores (e seus materiais didáticos, metodologia, infra-estrutura das salas, estado dos veículos, etc), da picaretagem que, acredite, existe – e MUITO - por aí.

O Código de Trânsito adverte: falta de informação causa morte!

segunda-feira, abril 16th, 2007

ciclistas_transito1.jpgO número de acidentes e mortes envolvendo ciclistas no Brasil tem aumentado dia a dia. As imprudências que motivam este aumento partem tanto dos próprios ciclistas como dos condutores de veículos motorizados, com os quais dividem e disputam, literalmente, espaço no trânsito.

Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) a bicicleta é um veículo e o ciclista, portanto, um condutor. Desta forma, o ciclista, assim como o condutor de automóveis e motocicletas, tem direitos e deveres no trânsito: circular no sentido da via, pelo canto direito da pista, sinalizar intenções de manobra, obedecer a sinalização de trânsito, usar equipamentos de segurança, entre outros.

Diferente dos condutores de veículos motorizados os ciclistas não recebem nenhuma orientação ou formação sobre seus direitos e deveres no trânsito, e é fato que a maioria dos acidentes ocorre pela falta destes conhecimentos. Este cenário poderia mudar, ou no mínimo amenizar, se o CTB fosse aplicado corretamente. Se a bicicleta é um veículo, ela deveria sair de fábrica já equipada com os equipamentos obrigatórios e de segurança, além de manual do veículo com orientações de direção defensiva e normas de circulação, assim como acontece hoje com os carros e as motos. Antes disso, fica difícil cobrar atitudes de quem não tem nem informação!

Apenas Números

quinta-feira, abril 12th, 2007

videonumeros1.jpg

No início desta semana começamos a receber as informações estatísticas com o NÚMERO de acidentes, feridos e mortos decorrente do final de semana prolongado que tivemos, e é interessante observar como a mídia trata esta informação.

APENAS NÚMEROS, sem comentários adicionais que possam sugerir ou motivar alguma mudança de comportamento de quem está lendo, ouvindo ou assistindo, ou seja, recebendo a informação. Este tratamento dado a notícia sem a relevância que o assunto merece tornou-se comum, os acidentes passaram a fazer parte do normal da vida.

As celebridades e os assuntos políticos, passaram a ser mais importantes que a PRESERVAÇÃO DA VIDA. Os números estatísticos são comentados como a Cotação do Dólar, o Índice da Bovespa ou o Risco Brasil, as pessoas ouvem, mas não se importam, a não ser os especialistas da área ou no caso do Trânsito parentes e amigos de pessoas que tiveram entes queridos envolvidos em acidente.

O ideal é que os veículos de comunicação do Brasil adotem uma postura mais audaciosa em relação ao TRÂNSITO. Quando esta visão mudar deixaremos de ser APENAS NÚMEROS e eles estarão ajudando a realmente alterar o COMPORTAMENTO das pessoas, e assim cumprindo o papel de CONSCIENTIZAR E PRESERVAR VIDAS.

A vida em um segundo

quarta-feira, abril 11th, 2007

Congestionamento. Carros parados, motoristas estressados. Motocicletas em alta velocidade. Buzinas intermitentes. Acidentes, muitos acidentes. Alguém reconhece esse cenário trágico? Se você foi a São Paulo, certamente sabe do que estou falando.

Segundo notícia veiculada hoje no Bom Dia Brasil, existe na cidade uma frota de 150.000 motoboys. Correndo perigo, é claro! São 25 feridos e 1 morto por dia neste trânsito caótico. As explicações para esse fato são muitas: motociclistas que não respeitam o CTB, condutores que não estão acostumados com as particularidades das motos, o crescimento da frota, etc. Este problema não é só de São Paulo, no Brasil inteiro o número de motos na rua cresce assustadoramente. Segundo a Abraciclo foram mais de 304 mil vendidas somente de janeiro a março deste ano no País. E conseqüentemente quanto mais motocicletas nas ruas, mais acidentes devem acontecer. E as soluções, alguém saberia apontar?

Algumas providências já estão sendo tomadas por autoridades na área de trânsito, Resoluções do Contran específicas para motociclistas, selos de segurança para empresas de motoboys, portarias específicas regulamentando a atividade nas principais capitais do País. O que está faltando? A conscientização dos motociclistas. Torna-se cada vez mais óbvia a necessidade de formação teórica específica para esses condutores e a atualização constante dos profissionais da área.

Além de tudo isso, falta também cada um exercer a sua cidadania, se todos os envolvidos no trânsito tivessem a consciência do seu papel, muitas coisas certamente seriam bem diferentes.

É problema de quem?

quinta-feira, abril 5th, 2007

autocritica-p.jpgDei uma espiada no blog a que a Mariana Czerwonka fez referência em seu post de ontem. Essas pessoas estão de parabéns: moradores de uma certa rua – chamada Raphael Papa, de uma certa cidade – chamada Curitiba, de um certo país que - sabemos bem, não tem lá muita tradição em reagir efetivamente, positivamente. Pelo menos os cidadãos deste país não têm exercitado muito este lado “opa, isto tem a ver comigo e vou tomar uma atitude”. Geralmente param na parte do “eu preciso fazer alguma coisa”. Isto é, alguns até pensam e tentam, mas não conseguem efetivar nada. O desânimo chega antes. É mais forte. Na medida em que as comunidades enxerguem seus problemas de trânsito como algo a ser resolvido coletivamente, com a participação de todos, surgirão soluções mais adequadas, exeqüíveis e aceitáveis. Adequadas porque, se eles estão vivendo o problema, ninguém melhor que eles para saber se uma determinada solução lhes servirá ou não. Exeqüíveis porque eles, que de uma forma ou outra se enquadrarão como co-responsáveis, não pedirão coisas impossíveis como carros voadores ou tele-transporte. E, aceitáveis porque, ao participar da busca de soluções, o grau de resistência em adotá-las será quase nulo, já que serão co-autores da idéia. Parece difícil? Difícil, meu caro leitor, é receber a notícia de que mais uma criança foi atropelada. Difícil é entender nossa passividade ao ver que o trânsito, uma modernidade que deveria somente servir para facilitar nossas vidas, está cumprindo o horroroso papel de promover mais de 100 funerais por dia. Para humanizarmos o trânsito, precisamos do comprometimento do cidadão: o único que realmente tem tudo a ganhar ou a perder com a segurança e a funcionalidade do trânsito. Mas, se você não se reconhece como cidadão… então você não tem mesmo nada a ver com isso.

Será o Caos

quinta-feira, abril 5th, 2007

estradas3.bmpOlá você, nos últimos dias tenho ouvido em todos os tipos de mídia que o CAOS está instalado. Sim estamos falando dos AEROPORTOS, mas o que tudo isto tem a ver com o trânsito? Eu diria que muito, pois aí vem o feriado da Semana Santa, com isto o final de semana será maior e com o CAOS acontecendo na aviação as pessoas, é obvio, irão procurar outras alternativas para chegar aos seus destinos.

Digo então que nossas estradas receberão um número muito acima do normal de veículos (Ônibus, Caminhões ou Carros) e com eles famílias inteiras querendo aproveitar o feriado prolongado. Aí fazemos a pergunta crucial: o que poderá acontecer?

Como diz o título deste texto provavelmente SERÁ O CAOS, uma vez que grande parcela destes motoristas são aqueles de FINAL DE SEMANA, que pela falta de prática em rodovias se envolvem com mais facilidade em acidentes.

Então o que uma ação impensada de um grupo de oficiais trabalhadores aliado a uma resposta tardia de parte do governo pode ocasionar neste FERIADO DA SEMANA SANTA? A certeza de um maior número de pessoas correndo o risco de acidentes em nossas rodovias.

E como é do conhecimento de todos, o Brasil tem muitas vias esburacadas. Para o motorista acostumado já é difícil transitar por elas e o número de acidentes já é elevado. Então o que podemos esperar destes condutores que não tem a vivência de estradas e estarão viajando com suas famílias nesta SEMANA SANTA? Se não houver um comportamento adequado, de respeito primeiro às pessoas e depois às leis, podem ter a certeza que provavelmente este feriado SERÁ O CAOS.

Comunidade participativa

quarta-feira, abril 4th, 2007

Li uma matéria hoje no jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, que falava sobre uma manifestação de moradores numa rua da cidade. O interessante da notícia é que eles criaram um blog para divulgar as reclamações e mostrar fotos dos acidentes que acontecem por lá.

Acho que esta participação da comunidade, nas questões relacionadas ao trânsito, é de grande valia para o alcance de resultados positivos. Como o Celso comentou no seu post, a “indignação positiva” é realmente ingrediente indispensável para gerar as atitudes que mudam, que transformam o comportamento das pessoas. E quando se fala em um grupo de pessoas que se reúne através desta “indignação”, a chance das autoridades e da própria sociedade olharem para aquele problema é muito maior.

Não basta reclamar, xingar, culpar os outros, nós temos que estar cientes de que todos podem e devem fazer alguma coisa. Propor palestras na escola dos filhos, criar espaços de discussão e até mesmo formar conselhos de trânsito na comunidade, são soluções que estão ao alcance de todos. Não temos mais desculpa, a segurança no trânsito depende também de cada um de nós!