Arquivos sobre ‘Educação de Trânsito’

Uma semana para ninguém morrer atropelado

terça-feira, maio 7th, 2013

Cidades no mundo todo, nesta semana, tentam o que – infelizmente – é improvável: nenhuma morte por atropelamento. Improvável mas não impossível. Improvável porque muito pouco se faz, de efetivo, no dia a dia, para evitar a calamidade que ceifa milhões de vidas em ruas, avenidas e estradas em todo mundo, anualmente.

Se temos dificuldades em lidar com períodos longos – quem está envolvido nos esforços da Década de Ações da ONU/OMS sabe bem disso – quem sabe no período de um ano? Um mês, talvez… Bem, durante uma semana, deve ser mais fácil. Mas não é. Não está sendo e não será nunca, pois a miscelânea que é nosso trânsito, essa caixa de pandora da vida moderna que abrimos com nossas tecnologias, regras e controles tão distanciados da percepção de riscos, nos põe loucos, atônitos e, ainda, desgovernados frente ao desafio de tornar seguro e utilizável nosso conjunto de soluções para nossa imprescindível mobilidade.

Mas “não tá morto quem, peleia”. Enquanto pudermos contar com espaços como este do Portal do Trânsito, enquanto os órgãos públicos contarem com colaboradores comprometidos com a causa da humanização do trânsito, enquanto a sociedade organizada em ONGs, Associações, CONSEGs e empresas que estão percebendo o tamanho da encrenca e juntando forças e boas cabeças para uma reação inteligente, baseada em sensibilização, educação e mobilização, há esperança. E resultados. Tímidos, escassos, mas exemplares.

Essa é uma luta que vale a pena!

Em Curitiba, durante a Semana Internacional de Segurança no Trânsito, que iniciou ontem e vai até dia 12/05/13, serão realizadas diversas ações com abordagens educativas em áreas de risco potencias para ocorrência de atropelamentos, organizados pela SETRAN, como parte das ações do Programa Vida no Trânsito.

Participe. Afinal, você não está participando do trânsito todos os dias?

SETRAN – despedida

segunda-feira, janeiro 14th, 2013

Há quase um ano atrás, assumi o cargo de Diretor de Educação da SETRAN, a Secretaria de Trânsito de Curitiba (ouça entrevista na CBN, à época). Com a mudança da administração da Prefeitura, um novo secretário, o Engenheiro Joel Krüger, assumiu a SETRAN e nomeou, para o cargo até então ocupado por mim, o Psicólogo Especialista em Trânsito Cassino Novo. Nada de frustração ou tristeza. Ao contrário. Conheço o Cassiano há alguns anos e fico tranquilo por reconhecer a sua competência e as muitas habilidades que sei, pela pessoa que ele é, estarão à disposição da cidadania de Curitiba.

O tempo que passei na SETRAN, à frente do Departamento de Educação (TRED), me foi extremamente gratificante e construtivo, tanto por conta das pessoas com quem pude trabalhar – técnicos tão apaixonados pela causa quanto eu – como pelo desafio que foi “mudar a cabeça” da área da iniciativa privada para a pública, o que, confesso, não foi muito fácil. Um aprendizado e tanto! Para tirar o máximo de proveito da situação, tratei de aplicar no dia-a-dia, minha experiência do que funciona numa empresa, para fazer a Educação da SETRAN funcionar. Apesar de inúmeras dificuldades que encontrei, considero ter feito um bom trabalho para esta fase inicial da SETRAN. Penso ter deixado uma boa base para o novo Diretor. Uma ideia do que vinha sendo feito no setor pode ser medida pela repercussão das ações – as poucas que pudemos efetivar – nos veículos de comunicação da cidade (veja uma lista de links aqui).

A Secretaria de Trânsito de Curitiba foi criada sem o planejamento, estruturação e orçamento que teriam sido normais para a situação. Mas o ano de 2012 foi totalmente atípico, tanto por ser um ano eleitoral – com restrições inacreditáveis, quanto por ter iniciado à sombra do trauma do final da DIRETRAN – aliás, este, o motivador da criação da SETRAN. O ideal seria ter sido motivada pela busca consciente e planejada da evolução dos cuidados com o trânsito da cidade. De qualquer forma, considero que os dois secretários e os quatro diretores que estavam no comando, no ano passado, sairam-se relativamente bem e que minha missão na SETRAN-TRED, foi cumprida.

Coloquei-me à disposição do Krüger, do Cassiano e de todos os setores da SETRAN para colaborar e apoiar esta nova fase da Secretaria de Trânsito de Curitiba, que, dentre outros desafios, vai carregar a grande responsabilidade que é coordenar o Programa Vida no Trânsito, da OMS. Seja aqui, pelo Portal do Trânsito, ou a qualquer momento, como cidadão e especialista no assunto, estarei à postos, pois sempre considerei que “a tribo do trânsito” precisa estar unida, compartilhar conhecimentos e que, apoiando-nos, teremos mais chances de contribuir efetivamente para a humanização do nosso trânsito.

SETRAN Curitiba

quinta-feira, janeiro 19th, 2012

Em 2012 farei parte da SETRAN, a nova Secretaria de Trânsito de Curitiba.

Desde 1996, quando eu e meus sócios criamos a Tecnodata Educacional, tenho me dedicado aos assuntos ligados à Prevenção, especialmente o Trânsito. Uma pós-graduação na PUCPR e as atividades no www.portaldotransito.com.br ampliaram as oportunidades que tive de mergulhar neste assunto tão apaixonante. A atuação nacional da Tecnodata, com quase um milhão de crianças e mais de 10 milhões de novos condutores atendidos por seus métodos e ferramentas de ensino, somados a incrível audiência do www.portaldotransito.com.br – mais de 165 mil acessos/mês (!) – me trouxeram várias oportunidades de falar e de ser ouvido não só nos veículos do próprio Portal, mas em diversos outros sites, rádios, jornais e TVs por todo Brasil. Isso demonstra um crescente e genuíno interesse das pessoas pelo tema e, ao mesmo tempo, o peso da minha responsabilidade.

De tanto analisar, sugerir, criticar e propor soluções, recebi o convite do Marcelo Araújo, ainda no final de 2011, para assumir o posto de Diretor de Educação da SETRAN. É uma responsabilidade ainda maior, que eu abraço com entusiasmo cívico, pois é uma bela oportunidade de contribuir para que esta cidade que amo tanto fique ainda melhor de se viver. O prefeito Luciano Ducci chamou o Marcelo porque ele é uma das pessoas que mais e melhor entendem esta complexidade. Por sua vez, o Marcelo também recorreu às pessoas de sua confiança, o que muito me honra. Eu o conheço há muitos anos, temos debatido calorosa e incansavelmente os assuntos desta área. Nos identificamos como parceiros nesta árdua seara dos que lutam por um trânsito melhor. Além disso, somos colegas no Blog do Trânsito, uma das áreas mais acessadas do Portal.

Espero conseguir colaborar de forma efetiva neste grande desafio, afinal, Curitiba sempre foi uma referência. Tudo o que acontece por aqui tende a ser tomado como modelo sendo, muitas vezes, entusiasticamente adotado em outras cidades. E, quando o assunto é trânsito, não há cidade em nosso país que não esteja carente de boas soluções. Nestes primeiros dias de atividade estou tendo contato com os colegas diretores e com os agentes. O trabalho já se iniciou e, sei bem, há muito o quê fazer. Quero que os amigos da área de trânsito – sempre tão dispostos ao debate – saibam que estou contando com a colaboração de todos: ideias, sugestões e críticas serão muito bem vindas. Mas sei também que muitos cidadãos tidos como leigos no assunto, por serem usuários atentos e movidos por espírito cidadão, têm boas ideais e vão se sentir muito bem em colaborar. Quero ouvi-los, todos.

Os inúmeros problemas do trânsito requerem soluções à altura de sua complexidade e importância e, sabemos, não há uma fórmula mágica. Mas tenho a estimulante sensação de que minha experiência em educação para o trânsito, somada grande capacidade e conhecimentos do Marcelo Araújo e da incrível equipe que forma a SETRAN, nos levarão a uma receita que gere efetivamente mais humanidade, bom senso, funcionalidade e segurança, resultando numa nova e boa fase para o trânsito da capital do Paraná.

Educação para o trânsito já é uma realidade!

quarta-feira, setembro 21st, 2011

Nesta “Semana Nacional do Trânsito” vale à pena relembrar de algumas coisas bem importantes. Uma delas é que em 1997 o Código de Trânsito Brasileiro trouxe um capítulo inteiro só sobre a educação para o trânsito. Algo nunca antes visto em nossa legislação de trânsito. A palavra “educação” e temas correlatos aparecem 49 vezes, o que representa 15% dos artigos do CTB, tal é a ênfase e a importância dada ao assunto.

Mas só estar na Lei não basta. Então o que as escolas têm feito a respeito do que o CTB determina: “a educação para o trânsito será promovida na pré-escola e nas escolas de 1º, 2º e 3º graus?”

Uma das ações que quero relatar e que vem ao encontro do que o CTB apregoa é a da cidade de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, cujo projeto denominado Comunidade e Trânsito tem como objetivo promover a educação para o trânsito em todas as escolas do município e por extensão, atingir a comunidade como um todo, tornando o trânsito da cidade mais humano e seguro.

A educação para o trânsito vem sendo abordada nas escolas de Ensino Fundamental de Jaraguá desde 2007, porém, desde 2010 ela acontece de maneira mais sistemática. O Projeto é coordenado pelo órgão executivo municipal de trânsito juntamente com a Secretaria de Educação, com o apoio da editora que fornece os materiais didáticos sobre o tema trânsito e disponibiliza um Sistema de Monitoramento para acompanhar o Projeto mensalmente.

As escolas começaram seus trabalhos de maneira tímida, porém as coordenadoras relataram que, depois que alguns professores desenvolveram suas primeiras atividades sobre o trânsito, outros também se engajaram no Projeto e incluíram o assunto em suas aulas. Hoje a grande maioria das escolas ensinam sobre o trânsito para seus alunos.

Foi possível perceber que, de maneira simples e objetiva as pedagogas/coordenadoras incluíam o assunto trânsito no planejamento da escola, organizando seus cronogramas para a melhor utilização do material didático e, com isto, contribuíram muito com o trabalho dos professores.

Os professores, por sua vez, apesar da responsabilidade em cumprir com os conteúdos curriculares obrigatórios, conseguiram de maneira muito criativa integrar o tema trânsito nos seus objetivos de aprendizagem. Construíram textos com os alunos a partir das reflexões sobre os problemas do trânsito da cidade e para isto utilizaram vídeos, notícias de jornais e as próprias percepções das crianças. Também elaboraram jogos, brincadeiras, fizeram passeios educativos, utilizaram a informática para construir histórias e regras seguras para o trânsito, criaram desenhos, painéis, projetos e desenvolveram pesquisas sobre as percepções dos pais a respeito do trânsito na cidade. Com estas pesquisas ampliaram discussões e conceitos e propuseram soluções para um trânsito mais seguro. Nas visitas feitas às escolas, foi possível perceber o quanto os professores e alunos estavam motivados a aprender mais sobre o tema e o quanto isto tem ampliado a visão de todos a respeito da responsabilidade de cada um no trânsito.

É gratificante constatar que o esforço da equipe responsável pelo Projeto, assim como o de cada profissional dentro das escolas, tem feito toda a diferença para a aprendizagem dos alunos sobre o trânsito.

Acredito que a máxima de “pensar globalmente e agir localmente” é praticada em Jaraguá do Sul, pois por meio de ações como estas é que o trânsito da cidade torna-se mais humano e seguro.

Tenho a certeza de que há muitos outros projetos como este acontecendo e cada um, dentro de suas possibilidades faz a sua parte para que o trânsito brasileiro melhore em qualidade e segurança.

O Pacto pela Vida – as ações do Brasil

segunda-feira, agosto 8th, 2011

No blog que escrevi no começo de julho falei sobre a Década de Ações para a Segurança no Trânsito da ONU (2011-2020). Um dos meus questionamentos era: quais eram as ações que o Brasil já estava implementando? Então verifiquei que uma das ações de adesão, ocorrida em maio último, foi criar o Pacto pela Vida (Pacto Nacional pela Redução dos Acidentes no Trânsito) do Ministério das Cidades e do Ministério da Saúde que tem como meta “estabilizar e reduzir o número de mortes e lesões em acidentes de transporte terrestre nos próximos dez anos”.

Estas são as ações e compromissos do Ministério da Saúde, segundo a Assessoria de Comunicação Social – Ministério da Saúde e das Cidades:

1. Aprimoramento e Integração das bases de dados dos vários setores (Segurança Pública, Saúde, Transporte/Trânsito e outros) para a produção de análises de tendências e cenários, monitoramento de indicadores e identificação de pontos críticos (áreas quentes) de ocorrências das lesões e mortes no trânsito;
2. Vigilância dos fatores de risco e proteção relacionados às ocorrências das lesões e mortes no trânsito;
3. Prevenção de violências e acidentes por meio da Rede Nacional de Núcleos de Prevenção de Violências e Promoção da Saúde;
4. Implementação da Rede de Atenção às Urgências priorizando as vítimas do trânsito (ênfase em motociclistas);
5. Apoio aos Estados e Município nas ações educativas, preventivas e de promoção à saúde em articulação com outros setores governamentais e com a sociedade civil, a exemplo do Projeto de Redução da Morbimortalidade por Acidentes de Trânsito e do Projeto Vida no Trânsito;
6. Apoio legal à causa da implementação de leis protetoras da vida e na implementação de espaços seguros e saudáveis;
7. Desenvolvimento de estudos e pesquisas e a capacitação de recursos humanos, dentre outras ações voltadas para a vigilância e prevenção das lesões e mortes no trânsito.

Bom, o primeiro passo já foi dado em direção ao que se quer fazer, porém é preciso definir o como, quando, quem e onde, pois sem a identificação e o compromisso das pessoas responsáveis e a definição de metas para cada ação é possível que o Pacto fique só no papel.

Vamos aguardar os acontecimentos. Até o próximo Blog.

Década de ações para segurança no trânsito – ONU

quinta-feira, julho 14th, 2011

A Década de Ações para a Segurança no Trânsito 2011 A 2020, instituída pela ONU (Organização das Nações Unidas), envolve 150 países num esforço conjunto para a redução dos acidentes de trânsito no mundo, que somam anualmente mais de 1 milhão de mortos. No Brasil, as estatísticas oficiais afirmam que são 37 mil mortos anuais. Se nada for feito, a previsão é de que até 2015, os acidentes de trânsito sejam a principal causa de morte nos países em desenvolvimento.

A ONU recomendou ao Poder Executivo Federal a imediata adesão à Década, por que será? Serão nossos índices altíssimos de violência no trânsito? Enfim, realmente não sei quais são as ações que já estão sendo implementadas pela Comissão de viação e transportes da Câmara Federal, porque a movimentação está acontecendo somente este ano.

Agora, em linhas gerais, os pontos principais a serem “atacados” para que haja redução de acidentes, são os seguintes:

1. Que haja forte envolvimento da sociedade civil nas ações;
2. Que as metas e ações estejam na agenda do governo, que estabelecerá políticas públicas;
3. Que sejam desenvolvidos dados estatísticos com qualidade, para balizar a redução dos acidentes na década;
4. Que todo o Sistema Nacional de Trânsito esteja envolvido;
5. Realizar campanhas permanentes de educação para o trânsito, em todos os aspectos da segurança;
6. Melhorar a fiscalização eletrônica ou por meio dos agentes de trânsito;
7. Investir na construção e manutenção das vias com foco em recursos que ajudem a evitar e atender aos acidentes;
8. Adotar definitivamente a inspeção veicular;
9. Investir e estimular o uso do transporte coletivo;
10. Privilegiar a mobilidade e priorizar o pedestre nas construções e projetos urbanísticos.

Fiz um resumo de tudo, mas é possível verificar que, tudo isso já está no Código de Trânsito Brasileiro – CTB e na Política Nacional de Trânsito, ou eu estou enganada?

É só ler a Lei e a Política, que está tudo lá, inclusive as metas de redução de acidentes, que já deveriam ter sido alcançadas em 2010, mas nada foi feito. E qual o principal motivo? Faltou a vontade política. Grande novidade!!!

Espero que dessa vez, tendo a ONU e a OMS como patrocinadoras das ações, algo realmente aconteça nacionalmente, de maneira integrada entre os órgãos de trânsito e outros, como o de saúde, de educação, transporte. Que a participação e o apoio da sociedade brasileira sejam efetivos, afinal não dá pra esperar que tudo venha do governo, é preciso praticar a cidadania e fazer as coisas acontecerem.

No próximo Blog falarei mais sobre o assunto. Até lá.

E a formação dos instrutores… como anda?

terça-feira, março 22nd, 2011

No meu último blog sugeri algumas dicas de aula para instrutores de autoescolas. O interessante é que os comentários do blog abordaram muitas questões importantes e, em especial, a formação dos instrutores.

Todos nós sabemos que existem muitos fatores que interferem na qualidade do ensino nas autoescolas e um deles é a qualidade da formação dos instrutores. Um instrutor mal capacitado dificilmente terá condições de dar uma aula de boa qualidade, a não ser se ele mesmo buscar aperfeiçoamento através de cursos, livros, internet, material didático apropriado ao instrutor, etc.

Além da formação dos instrutores, vale à pena perguntar: ser instrutor de trânsito é para qualquer um?

Claro que não, mas infelizmente a profissão é muito desvalorizada. Cansei de ouvir um amigo, que era instrutor, incentivar amigos desempregados ou frustrados com suas profissões a fazer um curso de instrutor e trabalhar em autoescola. Ele comentava que o curso era fácil, que dar aula era moleza e que era possível tirar um bom salário no final do mês. Eu achava isso tudo um absurdo porque esta profissão é de grande responsabilidade justamente por lidar com vidas, tanto do aprendiz como dos outros usuários do trânsito.

E a qualidade dos cursos de formação para instrutores… como está?

Em 1998 tive a oportunidade de frequentar um curso para instrutores de alta qualidade. A minha turma de aproximadamente 90 alunos teve que se esforçar para conseguir o certificado. A banca examinadora das aulas era exigente e a disciplina de didática deu bastante suporte para quem não tinha nenhuma noção de como dar uma aula. Velhos tempos!

Mas o que acontece hoje em dia? Quem fiscaliza a qualidade dos cursos de formação de instrutores? Como é que autorizam cursos à distância para instrutores? Como testar as habilidades didáticas do candidato a instrutor à distância? Como avaliar o conhecimento do instrutor por meio de questões de múltipla escolha?

E essa é só a ponta do iceberg dos problemas do trânsito… conto com os comentários de vocês para enriquecer este blog.

O que se aprende na autoescola?

segunda-feira, fevereiro 28th, 2011

O que você aprendeu na autoescola quando tirou sua habilitação?
O que ficou de mais importante de tudo o que aprendeu?
O que você poderia ensinar para o seu filho, amigo, namorada que poderia salvar a vida deles no trânsito?
Qual a sua principal preocupação quando está dirigindo?
Você já parou para pensar nesses assuntos?

Essas perguntas são apenas para ajudar a refletir um pouco sobre o que se aprende na autoescola hoje em dia. O objetivo principal não é apontar o instrutor e a autoescola como os únicos culpados da violência no trânsito. Eles têm sua parcela de responsabilidade, mas todos nós sabemos que um trânsito seguro depende de educação (desde o berço, nas escolas, na autoescola e educação continuada), de engenharia (qualidade nos equipamentos e na estrutura viária como um todo), legislação e fiscalização justas e eficientes.

A ideia é falar de uma pequena parte deste contexto todo que é o aprendizado do futuro condutor na autoescola. E aí o papo é direto com o instrutor, que muitas vezes se esforça para ensinar e vê um bando de gente que não quer aprender, mas apenas passar nos testes do Detran. Mas será que o problema está só no aluno “desinteressado” ou também no jeito de ensinar do instrutor? O que fazer para o assunto “entrar” na cabeça do aluno e despertar o interesse dele? Como fazer ele pensar em segurança, prudência quando estiver no trânsito (dirigindo ou no papel de pedestre)?

Sem ficar teorizando muito, pois isto daria um livro inteiro para explicar tudo em detalhes, o ponto-chave é “tornar o assunto significativo” para o aluno, de modo a fazer com que cada tema tenha utilidade para o seu dia a dia. Senão as leis, a direção defensiva, os primeiros socorros, as infrações, serão apenas memorizadas e depois esquecidas após as provas do Detran. Não serão aplicadas no trânsito porque o aluno não aprendeu realmente, não compreendeu porque cada assunto é importante para SOBREVIVER NO TRÂNSITO brasileiro, que mata 150 pessoas por dia.

E como tornar os temas significativos? Alguns passos podem ajudar o instrutor a fazer o aluno aprender:
• Pergunte a opinião dos alunos sobre cada assunto antes de começar a “discursar”. Compare certo e errado e deixe a turma decidir o que é melhor para a segurança de todos.
• Peça exemplos aos alunos de acidentes ou quase-acidentes que vivenciaram. Analise as situações com a turma, e peça que ela diga qual o melhor jeito para evitar acidentes. Compare com o conteúdo da sua apostila e mostre que as leis e regras nos ajudam a agirmos com segurança.
• Pergunte aos alunos qual é o comportamento diante de diferentes situações no trânsito, de placas, de regras, etc. Construa os conceitos corretos com eles. Depois é só comparar com o conteúdo na apostila. Estará tudo lá, não precisa decorar, mas compreender.
• Na aula prática, pergunte primeiro e dê a resposta depois. Faça o aluno pensar por si mesmo. Ele não terá um instrutor sempre ao lado ajudando a resolver os problemas do trânsito.

Bom, não dá para esgotar todo o assunto num blog. São reflexões e dicas que podem ajudar os instrutores a tornar a aprendizagem dos seus futuros condutores mais efetiva. Esta lista pode aumentar ainda mais e se você quiser colaborar com ideias, escreva seu comentário. Até breve!

Motocicleta: uma epidemia social

sexta-feira, novembro 12th, 2010

Como ter um trânsito mais seguro para todos? O que podemos fazer para nos proteger dos abusos dos motociclistas no trânsito?

São abusos e riscos tão sérios que ainda não sei como não me envolvi num acidente com moto, apesar de dirigir com muita atenção e cuidado. Parece que nenhuma norma de trânsito vale para eles. Estou generalizando mesmo, porque são pouquíssimos os motociclistas que seguem regras de segurança e reforço: motociclista consciente é a minoria, infelizmente. A grande maioria está procurando a morte diariamente. O pior é que boa parte deles, quando não morrem, ficam seriamente machucados e com lesões irreversíveis. A situação é trágica.

Quantos ainda precisam morrer para que as autoridades façam alguma coisa?

As regras parecem estar INVERTIDAS para os motociclistas e quero IRONIZAR um pouco pensando em como seria um Código de Trânsito que retratasse o comportamento do motociclista hoje. Acredito que seria assim:

1. Ultrapasse sempre pela direita e sem verificar se os outros veículos estão te vendo;
2. Ande sempre no corredor entre os carros, sem dúvida é o lugar mais seguro e onde não há chance de encostar nos outros veículos ou de atropelar pedestres (inclusive crianças e idosos que são os mais distraídos);
3. O capacete deve ser apenas encaixado na cabeça, sem nenhuma preocupação com ajustes na fivela, afinal a cabeça é a parte menos importante do corpo;
4. Ouse ao máximo, pondo sempre em risco sua vida e a do seu carona, com certeza ninguém irá sentir sua falta;
5. Faça de tudo para estar sempre à frente dos outros, nem que seja meio metro, corte a frente dos veículos, passe entre retrovisores no semáforo, passe entre caminhões e ônibus, pois o importante é ser o primeiro (quem sabe ser também o primeiro a morrer naquele cruzamento?);
6. Aproveite sempre o sinal amarelo e também o vermelho, pois é certo que nunca haverá um pedestre terminando de atravessar a rua ou algum outro motorista apressadinho no mesmo cruzamento. Não há risco de colisão nos cruzamentos;
7. Use chinelos, camisetas, shorts ou bermudas, pois tudo isso ajuda a proteger o corpo do motociclista numa queda;
8. Encurte o guidão da motocicleta e elimine o retrovisor, afinal quanto menos movimentos puder fazer com o guidão, mais segurança o motociclista terá em situações inesperadas;
9. Ande sempre em alta velocidade, especialmente onde há muitas pessoas: na frente de escolas, terminais e pontos de ônibus, igrejas, hospitais, pois com certeza nunca haverá pedestres tentando atravessar a rua;
10. Ande sempre sobre as faixas divisórias das vias, pois elas não escorregam em dias de chuva;
11. Para os recém habilitados, faça tudo o que os experientes fazem, afinal sua experiência e habilidade em situações de risco é igual à deles, então suas chances de acidentes são nulas.

Enfim, deveria haver um Código de Trânsito INVERTIDO somente para os motociclistas, porque eles vêm se comportando como um grupo social à parte que não respeita nenhuma lei e não é punido pelo que faz.

É uma pena que os custos de um acidente nem sempre atinjam o motociclista, pois pessoa morta não paga conta, não chora no próprio enterro e não pode consolar seus familiares e amigos.

Desculpem o desabafo, mas está cada dia mais difícil ver tantos jovens se acidentando, morrendo ou colaborando para um trânsito cada vez mais perigoso.

Estou me sentindo de “mãos atadas” e compartilhando com vocês minha indignação e preocupação. O máximo que posso fazer é evitar acidentes, mas consigo ajudar muito pouco os jovens que querem morrer cedo.
Aguardo seu comentário.

Quem fala ao celular não presta atenção ao trânsito!

terça-feira, agosto 24th, 2010

O blog de hoje é para quem acha que dirigir e falar um pouquinho ao celular “não dá nada”. Então, quero descrever um pouco sobre o funcionamento da nossa atenção quando estamos fazendo as duas coisas ao mesmo tempo.

É muito interessante saber que nosso cérebro é capaz de selecionar intencionalmente algo que é importante e, então, prestar atenção só a isso.

Quando nos concentramos numa determinada ação, o nosso cérebro trabalha para processar e aproveitar o máximo de informações e utilizá-las para a sobrevivência do corpo. Ele trabalha melhor, quando se concentra e faz uma coisa de cada vez.

Sabendo disso, o que acontece quando usamos o celular? Usar este aparelho requer muito de nossa energia, concentração e atenção porque, ao atendermos o celular, a atenção passa a se concentrar no processo de escutar, imaginar, buscar informações da memória e pensar no que estamos ouvindo. Além disso, enquanto ouvimos, o cérebro procura por respostas e ainda traduz o que estamos pensando através da fala. Ufa! O processo é realmente complexo. Imagine tudo isso acontecendo enquanto você dirige!

Agora, o que acontece com nossa atenção enquanto dirigimos? Nós conduzimos o veículo e manuseamos os equipamentos com precisão (embreagem, freio, troca de marcha, direção, etc). Também mantemos a velocidade adequada e o veículo no centro da pista, sem ficar movimentando-o em zigue-zague. Enquanto dirigimos também VEMOS tudo ao nosso redor: veículos diversos, pedestres, animais. Utilizamos também nossa inteligência para prevenir as situações de risco e buscar alternativas imediatas para qualquer imprevisto. Os nossos olhos passeiam de um lado para outro, identificando placas, sinais horizontais na via, lombadas, semáforo e outras sinalizações.

De repente o celular toca, você o atende e sua atenção é direcionada automaticamente para uma ação muito importante: a comunicação. O alvo da atenção concentrada passa a ser “comunicar-se ao celular” e o trânsito fica em segundo plano. Basta o carro da frente frear de repente, uma criança atravessar na frente do seu veículo em movimento, um motociclista estar no seu ponto cego de visão, ou dar uma fechada, que o acidente ocorre. Isto acontece porque reagir corretamente e com segurança exige tempo para pensar, escolher alternativas e, então, agir. É simples assim!

A minha contribuição hoje é para alertar os motoristas que ainda não entenderam que NÃO SE DEVE ATENDER O CELULAR ENQUANTO DIRIGE, porque é uma infração de trânsito e um atentado contra a própria vida e a dos outros.

Aguardo sua opinião e até o próximo blog.